Bolsa e dólar sobem em dia de cautela por reunião do governo com a Petrobras

Por Eduardo Puccioni e Flavya Pereira

São Paulo – O Ibovespa encerrou as negociações de hoje com alta de 1,34% aos 94.333,31 pontos, influenciado pelo desempenho positivo das ações da Petrobras. Os papéis das estatais se recuperam das quedas da semana passada e, além disso, refletem o otimismo do mercado sobre a reunião do governo com a diretoria da companhia, iniciada hoje às 16h30 (horário de Brasília).

Além desse desempenho positivo da Petrobras, os investidores se animaram ao ver o diálogo entre o governo brasileiro e os caminhoneiros, após o anúncio de medidas do Planalto para ajudar o setor. Entre os anúncios estão: linha de crédito de R$ 500 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aos caminhoneiros; e o investimento de R$ 2,0 bilhões para concluir e manter estradas.

“O mercado está vendo como positiva a forma de diálogo do governo com os caminhoneiros. Após o anúncio das medidas, o Ibovespa passou a operar de lado, se mantendo em alta, na espera pelo resultado da reunião do governo com a Petrobras”, explicou Matheus Amaral, analista da Toro Investimentos.

A reunião convocada na semana passada pelo presidente Jair Bolsonaro e que acontecerá hoje, às 16h30 no Palácio do Planalto, terá como principal tema o reajuste dos preços do diesel. Participarão do encontro equipe técnica, diretoria da Petrobras e equipe ministerial. Segundo o presidente, a convocação tem como objetivo entender os aspectos técnicos da decisão.

Mais cedo, analistas de mercado também destacaram que Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, havia falado sobre a cessão onerosa da Petrobras, dando a entender que o assunto seria positivo e benéfico para a estatal petrolífera.

Para amanhã, são aguardados diversos indicadores econômicos, principalmente na Ásia, que podem ditar o rumo do mercado, além do resultado da reunião de hoje.

O dólar comercial fechou em alta de 0,93% no mercado à vista, cotado a R$ 3,9040 para venda, em dia de estresse no mercado local com a leitura de possíveis atrasos na tramitação da reforma da Previdência na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJC) e reagindo ao pacote de medidas anunciado pelo governo federal destinado ao transporte rodoviário.

“O anúncio do pacote de medidas favoráveis aos caminhoneiros ajudou a criar esse ambiente de cautela”, comenta o diretor de uma corretora nacional. Para um gestor de investimentos, a confiança do mercado reduziu. “Precisamos ver até onde vai a paciência do Guedes [Paulo, ministro da Economia] com esse governo, que sai arranhado nessa intervenção aos preços da Petrobras”, diz.

O analista da Correparti, Guilherme Esquelbek, reforça que a pressão altista também acompanhou o desempenho do dólar no exterior, onde ganhou terreno ante as principais moedas e de países emergentes. “A cautela com a reforma da Previdência também ajudou a pressionar a divisa. Além dos investidores ficarem descontentes com o adiamento da votação [do parecer de admissibilidade da proposta na CCJC], o mercado também está à espera da reunião de Bolsonaro com a diretoria da Petrobras”, reforça.

Amanhã, com a agenda de indicadores carregada, principalmente na China – incluindo o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre – deve mexer com o mercado. “Se vier dentro ou acima do esperado [de +6,3%], poderá trazer um alívio à moeda local, que tende a reagir aos desdobramentos na CCJC”, destaca a economista da CM, Camila Abdelmalack.

Ela acrescenta que, amanhã, às vésperas do feriado de sexta-feira, a liquidez tende a se reduzir, além da “corrida” por proteção. “Um movimento normal em semana mais curta”, diz. Ainda no exterior, nos Estados Unidos, tem a divulgação do Livro Bege – relatório com a avaliação da situação econômica do país – pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano).

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