Bolsa e dólar sobem com indicador dos EUA positivo e monitorando Previdência

São Paulo – O Ibovespa fechou com ganhos pelo segundo pregão seguido, com alta de 0,82%, aos 97.108,17 pontos, com investidores esperançosos com a reforma da Previdência diante de maior esforço do governo para fazer uma articulação política. O cenário externo, após declarações do presidente norte-americano Donald Trump também colaborou para que o índice fechasse acima dos 97 mil pontos, o que não ocorria há mais de duas semanas, desde o dia 20 de março (98.041,37 pontos). O volume total negociado foi de R$ 12,8 bilhões, com uma redução de negociações durante a tarde.

O foco segue na reforma da Previdência, com investidores se apegando ao início de conversas do presidente Jair Bolsonaro com líderes de partidos ontem e a declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, que reiterou a defesa da reforma em evento em Campos do Jordão (SP). Com isso, afirmações de Bolsonaro mais cedo, em café da manhã com alguns jornalistas, acabaram ofuscadas. O presidente teria reconhecido que a reforma pode ser desidratada.

“A alta de hoje é mais uma continuação do movimento de ontem, já que passado o susto com a articulação e a confusão da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC), Guedes passou a receber deputados e Bolsonaro se reuniu com líderes partidários”, acredita o diretor de investimentos da SRM Asset, Vicente Matheus Zuffo. Para o diretor, mesmo nenhum partido ainda declarando que fará parte da base do governo, o movimento foi considerado positivo pelo mercado, sendo que o que tem se discutido são alterações no projeto, mas não a votação da reforma.

Já na cena externa, mais cedo, Trump disse que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) deveria encerrar o aperto monetário e cortar a taxa de juros, o que ajudou na alta do índice, depois que dados do mercado de trabalho norte-americanos, conhecidos como payroll, mostraram uma criação de vagas acima do esperado. “Para emergentes é ótimo se cair juros, mas os dados do payroll ainda estão robustos. A postura do Fed ainda não está tão clara nesse sentido, mas Trump vem pressionando”, avaliou o economista da Guide Investimentos, Victor Cândido.

Na semana que vem, o diretor da SRM Asset destaca que será importante observar principalmente o relatório do relator da Previdência na CCJC e a confirmação se o projeto poderá ser votado rapidamente na comissão. Também há expectativas de novidades sobre a cessão onerosa da Petrobras.

O dólar comercial encerrou o dia com alta de 0,36% cotado a R$ 3,8730 mesmo após dados positivos sobre o mercado de trabalho dos Estados Unidos. Ainda fala mais alto a questão da reforma da Previdência no Brasil, com investidores acreditando numa desidratação ainda maior que a esperada anteriormente.

“Mercado aguardava o payroll [dados sobre o mercado de trabalho norte-americana], mas veio dentro do esperado e o olhar voltou a ser da Previdência. Hoje passaram a cogitar que a capitalização fique para um segundo passo da Previdência e que neste momento seria aprovada sem essa parte”, afirmou Alessandro Faganello, operador de câmbio da Advanced Corretora.

Na semana que vem, Faganello destacou que será aprovada a Previdência pelo relator, previsto para terça-feira, para depois ir para a comissão especial onde poderá ter os vetos. “Semana que vem será apenas para admissibilidade, ou seja, sem alteração do texto. Mas se ocorrer alguma mudança, aí isso não estará precificado ainda”, afirmou o especialista.

A economia dos Estados Unidos criou 196 mil vagas de trabalho em março e a taxa de desemprego ficou estável em 3,8%, mesma taxa de fevereiro. O número de criação de vagas veio acima da projeção dos analistas, que esperavam 175 mil novos postos de trabalho. A taxa de desemprego veio em linha com a previsão.

Os dados foram divulgados pelo Departamento do Trabalho do país e as estimativas foram levantadas com analistas pela Agência CMA. O Departamento do Trabalho informou também que o número de vagas criadas em fevereiro foi revisado para cima, a 33 mil. Originalmente, havia sido divulgada a criação de 20 mil empregos no período. A criação de vagas de janeiro também foi revisada para cima, de 311 mil para 312 mil.

Para semana que vem, o dólar comercial ainda deve encontrar volatilidade com indicadores econômicos e cenário político, monitorando a articulação do governo para uma possível aprovação da reforma de Previdência com a menor mudança possível.

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