Bolsa e dólar sobem com dificuldades do governo para articular a Previdência

São Paulo – O Ibovespa interrompeu uma sequência de cinco pregões consecutivos de queda e fechou em alta de 1,75%, aos 95.306,82 pontos, refletindo principalmente a forte valorização das ações da Petrobras, em meio a uma série de notícias positivas para a empresa. Investidores também aproveitaram as baixas recentes para comprarem Bolsa, o que amenizou os efeitos da preocupação com a articulação em torno da reforma da Previdência depois que o ministro da Economia, Paulo Guedes, desistiu de ir à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O volume total negociado foi de R$ 16,1 bilhões.

As ações da Petrobras (PETR3 4,17%; PETR4 4,71%), que têm grande peso no índice, aceleraram levemente os ganhos na segunda metade do pregão. Os papéis refletiram declarações de ontem de Guedes sobre a cessão onerosa, que deve sair em breve, e a alta dos preços do petróleo, além do anúncio de que a estatal instituirá um intervalo de pelo menos 15 dias para os reajustes nos preços do óleo diesel. Também foi anunciado que a BR Distribuidora implantará um cartão de pagamentos que permitirá aos caminhoneiros comprar litros de diesel por um preço fixo nos postos.

“Acredito que as medidas foram positivas, além dos motivos subjetivos, como a possibilidade de evitar uma nova greve de caminhoneiros, acho que é uma opção que irá proteger caminhoneiros da volatilidade de preço. Irá atrair e refletir também nas ações da BR Distribuidora, que é responsável pela venda dos cartões”, disse o analista da Eleven Financial Research, Enrico Cozzolino.

O dólar comercial fechou com alta ainda refletindo os embaraços que o governo tem encontrado para dar andamento à reforma da Previdência. Hoje o ministro da Economia, Paulo Guedes, desistiu de participar da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) na Câmara dos Deputados onde ele explicaria as alterações na Previdência.

“Hoje o dólar está totalmente indexado ao cenário político. A reforma da Previdência tem se deteriorado por causa das atitudes do presidente [Jair Bolsonaro] e do seu partido [PSL]”, afirmou o gestor de investimentos Paulo Petrassi, dizendo ainda que o “mercado está perdendo a paciência”.

O dólar comercial fechou com alta de 0,25%, sendo negociado a R$ 3,8670 para venda e a R$ 3,8650 para compra. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em abril de 2019 apresentava avanço de 0,58% a R$ 3,874.

“O bom-humor visto no início da sessão, sobretudo em função das expectativas frente à ida do ministro da Economia, Paulo Guedes, à CCJ da Câmara, no intuito de esclarecer pontos da reforma da previdência dos militares, foi dissipado após o cancelamento desta”, explicou Ricardo Gomes da Silva Filho, operador de câmbio da Correparti Corretora.

Petrassi disse ainda que no atual momento, errado é o dólar a R$ 3,73 e o correto é o dólar a R$ 3,90 ou R$ 4,00. “A cena política está complicada. O Bolsonaro precisa se controla e controlar os filhos. Ele não pode ficar atrapalhando a articulação, não pode deixar tudo nas costas do Guedes. Se não aprovar a reforma da Previdência aí ninguém mais investe no Brasil e quem está aqui dentro vai sair”, acrescentou Petrassi.

Gomes diz que “a sensação geral de fragilidade no poder de articulação política do Planalto motiva os investidores a assumir posições predominantemente defensivas. Como consequência, o dólar operou pressionado durante toda a sessão, renovando máxima após máxima”.

Ao cancelar a ida à CCJ, Guedes temia um esvaziamento da Comissão e que ele ficasse exposto e fosse sabatinado apenas por integrantes da oposição. A ideia de Guedes era ir na Comissão dar explicações sobre a reforma da Previdência aos parlamentares.

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