Bolsa e dólar sobem após aprovação do texto-base da Previdência e criação de vaga de emprego Estados Unidos

Por Danielle Fonseca e Flavta Pereira

São Paulo – O Ibovespa subiu pelo terceiro pregão seguido, com alta de 0,43%, aos 104.089,47 pontos, refletindo a aprovação da reforma da Previdência ontem na comissão especial da Câmara dos Deputados e a expectativa de que o texto possa ser votado no plenário da Casa na semana que vem. Com a alta de hoje, o índice renovou pelo segundo dia o recorde histórico do fechamento, além de ter renovado o recorde intradiário, atingindo a máxima de 104.175,90 pontos hoje. O volume total negociado foi de R$ 15,5 bilhões. Na semana, o Ibovespa subiu 3,09%.

Pela manhã, o índice chegou a cair mostrando uma realização de lucros puxada por dados do mercado de trabalho norte-americano (payroll), que vieram mais fortes do que o esperado, trazendo receio sobre os próximos passos do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano).

“No início do dia o mercado realizou com o nervosismo após a divulgação do payroll, investidores ficaram meio em dúvida sobre as possíveis quedas da taxa de juros. Mas a expectativa é que a reforma possa ser votada semana que vem”, disse o economista-chefe do banco digital Modalmais, Alvaro Bandeira.

O bom humor da cena doméstica prevaleceu, já que há pressão para a votação da reforma antes do recesso parlamentar, que se inicia dia 18 de julho, conforme foi sinalizado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia. Maia também disse hoje à tarde que se reunirá com líderes amanhã para discutir a Previdência.

Já no exterior, os números do payroll mostraram uma criação de vagas bem acima do esperado pelo mercado, com 224 mil vagas em junho, ante previsão de 169 mil vagas. A taxa de desemprego, porém, foi de 3,7%, acima do 3,6% previstos, e o salário médio veio dentro do esperado. Apesar da criação mais fortes de vagas ter surpreendido e esfriado expectativas sobre cortes mais fortes ou mais rápidos, ainda se espera que o Fed adote uma política mais expansionista, com cortes podendo começar já este mês.

As ações são as que mais refletiram o otimismo local e passaram a subir com mais força ao longo do pregão, caso Itaú Unibanco (ITUB4 0,86%) e do Bradesco (BBDC4 0,92%). Já as maiores do Ibovespa ficaram com as ações da Gol (GOLL4 6,23%), que informou que a sua demanda aérea total subiu 14,4% em junho na comparação anual, e com a B2W (BTOW3 4,38%).

Na contramão, as ações da Vale (VALE3 -2,54%), do Bradespar (BRAP4 -2,74%) e da CSN (CSAN3 -1,30%), fecharam entre as maiores perdas do índice ao refletir a derrocada dos preços do minério de ferro. A notícia de que um grupo de grandes siderúrgicas chinesas se reuniu para pedir ao governo que investigue a elevação de preços recentes e promova maior estabilidade no mercado, levou a commodity a cair mais de 4% na bolsa de Dalian.

Na semana que vem, o feriado em São Paulo na próxima terça-feira pode reduzir um pouco a liquidez no início da semana. No entanto, a expectativa seguirá grande pelo andamento da reforma. “A reforma da Previdência é o fator mais relevante, mas ainda teremos alguns dados nos Estados Unidos que podem confirmar ou não o relatório de emprego de hoje”, disse a analista da Toro Investimentos, Luana Nunes.

O dólar comercial fechou em alta de 0,52% no mercado à vista, cotado a R$ 3,8210 para venda, reagindo aos dados mais fortes do relatório de empregos dos Estados Unidos (payroll) reduzindo as apostas de investidores de corte da taxa de juros norte-americanos na próxima reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), no fim do mês.

O diretor de câmbio da Correparti, Jefferson Rugik, destaca a “força” da moeda estrangeira frente às principais moedas pares e de países emergentes ao longo da sessão tendo o payroll como principal “catalizador”. “Com as expectativas bem acima do esperado, acabou dissipando as apostas de um corte de juros mais agressivo por parte do Fed”, diz.

No mês passado, foram criadas 224 mil vagas, ante expectativa de 169 mil vagas, conforme levantamento do Termômetro CMA. Os dados “surpreenderam” após registrar a criação de 72 mil (em dado revisado) postos de trabalho em maio.

“Mas os ganhos salariais continuaram moderados, o que pode encorajar o Fed a reduzir o juro no final desse mês”, acrescenta o operador de câmbio da corretora Advanced, Alessandro Faganello. O salário médio por hora no setor privado somou US$ 27,90 em junho, altas de 0,2% em base mensal e de 3,1% ante na comparação com junho de 2018. A previsão era de altas de 0,2% e de 3,2%, respectivamente.

Aqui, em semana marcada pela aprovação da reforma da Previdência na comissão especial da Câmara dos Deputados, o dólar registrou queda de 0,52%. “O ambiente mais favorável de aprovação [da reforma], com poucas mudanças no conteúdo da proposta, tem impulsionado a apreciação do real e o fechamento das curvas de juros”, comenta a equipe econômica do Bradesco.

Na segunda-feira, véspera de feriado em São Paulo – o que fechará a bolsa brasileira – a liquidez interna deverá ser reduzida no mercado local. Porém, de qualquer forma, investidores seguirão atentos aos avanços da reforma da Previdência, à espera da votação em dois turnos no plenário da Câmara, e aos discursos de dirigentes do Fed ao longo da semana, de olho também na ata da última reunião de política monetária do banco central norte-americano.

Na agenda de indicadores, sairão os dados de inflação da China e dos Estados Unidos. “O Fed acredita que a inflação baixa não é um fenômeno temporário. Os resultados desses índices, tanto no atacado como ao consumidor, são relevantes. Além disso, diante da expressiva perda de ritmo da economia chinesa nos últimos meses, é esperada alguma reação do lado do crédito em junho, com aceleração das concessões”, avaliam os analistas do Bradesco.