Bolsa e dólar sobem após pregão marcado pela volatilidade com a guerra comercial

Por Danielle Fonseca e Flavya Pereira

São Paulo – O Ibovespa passou a subir perto do fechamento do pregão e encerrou em alta de 0,60%, aos 102.782,37 pontos, sustentado pela aceleração de ganhos das ações de bancos, depois de um dia de forte volatilidade em função da guerra comercial entre China e Estados Unidos. Pela manhã, o índice atingiu a mínima de 100.476,12 pontos (-1,65%) e fechou muito próximo da máxima, de 102.784,21 pontos. O volume total negociado foi de R$ 19,1 bilhões.

As bolsas dos Estados Unidos, que caíam com mais força pela manhã, também reduziram perdas ao longo da tarde, com o índice Nasdaq e o S&P 500 fechando em alta, movimento acompanhado de perto pelo Ibovespa. Mais cedo, a aversão ao risco voltou a tomar conta dos mercados, com receio de maiores impactos da escalada da tensão comercial na economia global, o que tem feito os bancos centrais mundiais reduzirem juros.

Chamou a atenção dos investidores o fato de os bancos centrais da Nova Zelândia, India e Tailândia terem reduzido taxas de juros hoje, o que reforça a pressão para que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) também continue a reduzir juros. O presidente norte-americano, Donald Trump, fez novas críticas ao Fed dizendo que o banco é orgulhoso demais para admitir erros e pressionando a instituição por cortes maiores na taxa básica de juros. Já o presidente da unidade do Fed de Chicago, Charles Evans, indicou que as crescentes tensões comerciais podem justificar novo corte de juros.

“Todo mundo está preocupado com esse impasse comercial e o impacto que essa escalada de tensões pode ter, estamos vendo uma reação no mundo inteiro, com vários bancos centrais reduzindo juros”, disse o diretor de investimentos da SRM Asset, Vicente Matheus Zuffo.

Já o responsável pela área de renda variável da Monte Bravo, Bruno Madruga, destaca que a volatilidade vista hoje pode seguir nos próximos dias. “A tendência no curto prazo é continuar a volatilidade, o mercado está indefinido, sem tendência seja de alta ou de queda. Na segunda-feira, a Bolsa teve queda forte e ontem uma alta forte”, disse.

Entre as ações, os bancos, que chegaram a cair pela manhã, viraram para a alta e aceleraram ganhos, impulsionado o Ibovespa, com destaque para o Itaú Unibanco (ITUB4 3,69%) e do Santander (SANB11 2,86%), que fecharam entre as maiores altas. Ao lado dos bancos, ficaram as ações da Raia Drogasil (RADL3 9,25%) após resultados financeiros positivos.

Na contramão, as da Petrobras (PETR3 -0,94%; PETR4 -1,08%) pesaram negativamente hoje refletindo as fortes perdas dos preços dos petróleos, embora tenham reduzido perdas no fim do dia. Já entre as maiores perdas do índice ficaram as ações da B2W (BTOW3 -4,74%), da Cemig (CMIG4 -3,45%) e da Gol (GOLL3 -3,52%), que devolveram altas recentes.

O movimento externo e as fortes altas de ações de bancos ofuscaram a aprovação da reforma da Previdência em segundo turno na Câmara dos Deputados nesta madrugada, com analistas também afirmando que a aprovação “já estava no preço”. “A reforma da previdência já está muito precificada, agora, começa outras especulações, sobre a reforma tributária, que vai afetar diretamente as empresas”, disse Madruga.

Além de continuar a monitorar a guerra comercial e o andamento de reformas, investidores ficarão atentos amanhã aos dados de preços ao consumidor na China e de seguro desemprego nos Estados Unidos, que podem dar mais sinais sobre o impacto da tensão comercial na economia dos dois países. No Brasil, o destaque na agenda é o IPCA de julho.

DÓLAR

O dólar comercial fechou em alta de 0,50% no mercado à vista, cotado a R$ 3,9770 para venda – acumulando oito altas consecutivas e R$ 0,20 de valorização no período – em mais uma sessão de volatilidade e temor com a guerra comercial entre Estados Unidos e China que investidores começam a associar os conflitos com uma futura desaceleração da
economia global.

O analista de câmbio da Correparti, Ricardo Gomes Filho, reitera que o movimento de fortalecimento da moeda estrangeira, em mais uma sessão, está relacionado a piora da percepção sobre a atividade global.

“Com expectativas direcionadas à votação dos destaques da reforma da
Previdência na Câmara dos Deputados e para quaisquer mudanças no
posicionamento entre Estados Unidos e China, o investidor segue atento, porém busca segurança em ativos mais seguros”, reforça.

Hoje, os bancos centrais (BCs) da Nova Zelândia, India e da Tailândia reduziram as taxas de juros, o que para o analista da Toro Investimentos, Felipe Fernandes, deixa claro que os BCs iniciam o movimento de corte de juros já temendo uma desaceleração da economia global. Recentemente, Turquia, Estados Unidos e Brasil aderiram ao afrouxamento monetário.

Fernandes reforça que, no mercado doméstico, houve um grande fluxo de compra, o que levou a moeda a renovar máximas sucessivas chegando a R$ 3,9940 (+0,93%), na maior cotação intradiária desde 28 de maio, quando registrou R$ 4,0240 na máxima daquela sessão. “Houve compra de lotes bem significativos. A leitura é de corrida forte por proteção”, diz.

Amanhã, na abertura dos mercados, os ativos devem reagir aos dados da
balança comercial da China no mês passado, que saem na noite desta
quarta-feira (horário de Brasília). “A depender dos números, eles podem
ditar o rumo dos mercados. Se o dado for fraco, pode ser uma munição para Donald Trump [presidente dos Estados Unidos] intensificar a guerra entre eles. Tudo ajuda a fortalecer o dólar”, comenta.

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