Bolsa e dólar caem incerteza política, realização de lucro e decisão do Fed

08/11/2018 19:03:32

Por: Danielle Fonseca e Flavya Pereira / Agência CMA

São Paulo – O Ibovespa caiu 2,38%, aos 85.620,13 pontos, encerrando em queda pelo terceiro pregão consecutivo, com investidores embolsando lucros em meio à ausência de novidades e incertezas sobre possíveis nomeações e medidas do governo de Jair Bolsonaro. O volume negociado foi de R$ 17,5 bilhões.

“Há uma realização de lucros e ajuste técnico, alguns analistas acreditam que o índice bateu suportes importantes. Além disso, já passou a euforia com as eleições e com os balanços corporativos”, acredita o gerente da mesa de operações da H.Commcor, Ari Santos. O gerente lembra que em outubro o Ibovespa subiu 10,19% e que a queda acumulada neste início de novembro, de 2,06%, ainda não apaga os ganhos expressivos do mês passado na esteira das eleições.

No mercado doméstico, o foco segue nas sinalizações do novo governo. Ontem à noite, a deputada federal Tereza Cristina foi anunciada como ministra da Agricultura. Porém, ainda segue a incerteza sobre a permanência ou não de Ilan Goldfajn à frente do Banco Central (BC), com fontes do governo apontando que estão sendo cogitados outros nomes para o cargo, como o de Mário Mesquita, economista-chefe do Itaú Unibanco.

Também permanecem dúvidas sobre a possibilidade de parte da reforma da Previdência ser aprovada ainda este ano, além de a questão fiscal ter voltado a preocupar devido à aprovação, pelo Senado ontem, de aumento dos salários de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Para o economista-chefe da Spinelli Corretora, André Perfeito, ao “aumentar o déficit fiscal do ano que vem, a tradicional classe política também aumentou seu poder de barganha sobre Bolsonaro e sinaliza que não haverá espaço para ‘tratorar’ o Congresso”.

“Por mais que acreditemos que Paulo Guedes esteja fazendo um trabalho que agrade o mercado, temos agora que precificar o que de fato significa Jair Bolsonaro”, disse ainda o economista, em relatório enviado a clientes há pouco.

O dólar fechou praticamente estável (-0,02%), negociado a R$ 3,7390 para venda, depois de exibir forte volatilidade ao longo do pregão com investidores domésticos digerindo a aprovação do reajuste salarial de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) pelo Senado, que pode gerar rombo superior a R$ 4,5 bilhões no orçamento do próximo governo.

No exterior, o mercado ficou na expectativa pela decisão de política monetária do Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano). Após o comunicado, o dólar futuro chegou a subir 0,83%, a R$ 3,769.

Ontem, o Senado aprovou a chamada “pauta-bomba” com o reajuste salarial de ministros do STF em 16,38%, passando de R$ 33.763 para R$ 39.293, foi aprovada por 41 senadores, contra 16 votos. A aprovação da medida deve gerar um rombo entre R$ 4 bilhões e R$ 6,5 bilhões em efeito cascata no Judiciário. “Um impacto bilionário no Orçamento para o presidente eleito, Jair Bolsonaro, e para os novos governadores”, comenta a equipe econômica Capital Markets (CM).

Lá fora, a expectativa ficou em torno da decisão do Fed que, em comunicado divulgado às 17 horas, disse que continuará avaliando as condições econômicas atuais e esperadas em comparação com o objetivo duplo de pleno emprego e inflação em 2%. “Há reforço de que seguirão avaliando a inflação acumulada em doze meses, que permanece próximo da meta de 2%, observando que os riscos para a economia parecem equilibrados”, avaliam os economistas.

As projeções dos dirigentes da autoridade monetária, divulgadas em setembro, indicam que haverá a quarta elevação de juros do ano, em dezembro, e três elevações em 2019. “A curva de juros norte-americana projeta no máximo 3 altas até o fim de 2019”, diz a equipe da CM.

Amanhã, além da repercussão quanto ao comunicado do Fed, tem os dados de outubro do índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos. “Somado a decisão de política monetária, se esses dados vierem mais fortes, reforça o cenário de mais altas de juros. Consequentemente, teremos um dólar mais forte ao redor do globo”, diz o economista da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa.

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