Bolsa e dólar caem em dia de realização de lucros e dados econômicos externos

São Paulo – O Ibovespa encerrou a sessão de hoje com queda de 0,32% aos 96.236,04 pontos, em dia de ajuste técnico após as altas ao longo da semana. Sem novidades sobre a continuidade da reforma da Previdência, o índice deve seguir sem viés definido para a próxima semana, operando de acordo com dados econômicos pontuais que serão divulgados. Na semana, o Ibovespa registrou avanço de 1,75%.

“Semana que vem a agenda econômica está pesadíssima. Temos PIB [Produto Interno Bruto] da eurozona, teremos ADP [criação de emprego no setor privado dos Estados Unidos], temos payroll [número de empregos criados ou perdidos nos Estados Unidos] e temos o Fomc [Comitê Federal de Mercado Aberto, na sigla em inglês]. Aqui no Brasil teremos balanços financeiros de empresas importantes, mas com um feriado no meio da semana e sem nada sobre Previdência. Será uma semana sem viés, com índice reagindo pontualmente aos dados divulgados”, explicou Pedro Galdi, analista de investimentos da Mirae Asset Corretora.

Segundo analistas de mercado, além da vontade dos investidores em embolsar lucro após uma semana positiva para algumas empresas, como foi o caso dos frigoríficos, que caírem forte hoje, a divulgação acima do previsto do PIB dos Estados Unidos ajudou na queda. “Isso faz o investidor acreditar que haverá alta de juros nos Estados Unidos, fazendo investidores aliviarem o pé em mercados emergentes como o Brasil”, afirmou um operador.

O PIB dos Estados Unidos cresceu 3,2% no primeiro trimestre de 2019 em relação ao trimestre imediatamente anterior em termos anualizados, de acordo com a leitura preliminar divulgada pelo Departamento do Comércio do país. O dado veio acima das previsões dos analistas, que esperavam alta de 2,5%. O indicador mostra que o crescimento econômico acelerou em relação ao quarto trimestre do ano passado, quando o PIB norte-americano cresceu 2,2% em base anualizada. 

Entre as três maiores quedas do Ibovespa hoje, duas são de frigoríficos, que subiram bastante na semana após o único de peste na carne suína da China, elevando a venda dessas empresas para o mercado chinês. A maior queda ficou com a ação ordinária do Fleury (FLRY3), com retração de 6,78%, seguida pela ação ordinária da JBS (JBSS3), com desvalorização de 5,71%, e pelas ações ordinárias da Marfrig (MRFG3), com recuo de 3,35%.

O dólar comercial fechou em queda de 0,58% no mercado à vista, cotado a R$ 3,9330 para venda – é o oitavo pregão seguido que a moeda estrangeira fecha acima dos R$ 3,90. Os dados da primeira leitura do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos no primeiro trimestre do ano ditaram o rumo dos negócios, além de correção no mercado global e a ausência de notícias negativas na política local.

O PIB norte-americano registrou crescimento de 3,2% na comparação anual, acima da expectativa de alta de 2,5%. “Mesmo a despeito do crescimento robusto do indicador, prevaleceu o recuo do índice de preços aos consumidores [PCE, na sigla em inglês; +0,6% ante alta de 1,5% no trimestre anterior]. Nesse cenário, é previsível que o Federal Reserve [Fed, banco central norte-americano] seja mais parcimonioso no comunicado que fará logo após a divulgação da decisão de política monetária na reunião de quarta-feira”, avalia o diretor de uma corretora nacional.

Em semana marcada por movimentos laterais no início da semana, em decorrência do feriado de Páscoa na Europa, Oceania e em Hong Kong, que reduziu a liquidez dos negócios, além de avanços da reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) na Câmara dos Deputados, e agora na nova fase, na comissão especial, o dólar encerrou a semana com ligeira alta (+0,02%). No exterior, o dólar disparou chegando aos maiores níveis em dois anos, respingando nas moedas pares e de países emergentes, principalmente.

“A semana foi bastante tensa com a sinalização da CCJC e dado o que já foi decidido sobre a comissão especial que avaliará a reforma da Previdência e de que há data para iniciar as tratativas do texto. Isso fez o ambiente ficar mais tranquilo por aqui hoje. A comissão já tem um norte”, avalia a economista-chefe da Ouroinvest, Fernanda Consorte.

Ontem, foram definidos o presidente e o relator do texto na comissão especial, as quais atividades ficarão a cargo do deputado Marcelo Ramos (PR-AM) e de Samuel Moreira (PSDB-SP), respetivamente. A primeira reunião sobre o tema, a princípio, está marcada para 7 de maio.  

Na segunda-feira, com a agenda de indicadores mais fraca, os mercados devem se posicionar à espera do feriado doméstico e em alguns mercados globais na quarta-feira (1). Apesar de alguns mercados estarem fechados, os Estados Unidos divulgarão na data o comunicado com a decisão de política monetária do Fed, além de números da criação de postos de trabalho no mês passado, antecipando-se ao relatório de empregos (payroll) a ser divulgado na sexta-feira (3).

“Deveremos monitorar qual será a mensagem do Federal Reserve após o resultado do PIB ter mostrado crescimento forte. Além disso, os dados de mercado de trabalho e inflação nos Estados Unidos ajudarão a calibrar as apostas em relação aos próximos passos de política monetária no país”, avalia a equipe econômica do Bradesco.

Com a semana encurtada, as apostas dos analistas é que o mercado se voltará ao discurso político em torno da reforma da Previdência no mercado local, enquanto lá fora, além do Fed e do payroll, entra no radar dos investidores mais uma rodada de negócios entre Estados Unidos e China acerca da guerra comercial.

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