Bolsa e dólar caem em dia de incertezas política e econômica

São Paulo – Após um dia volátil em meio a incertezas sobre a articulação política da reforma da Previdência e a um cenário externo ainda de aversão ao risco, o Ibovespa mostrou leve melhora ao longo pregão com sinalizações de pacificação da cena política para focar na reforma. O alívio, porém, não foi suficiente para fazer o índice subir, sendo que fechou em queda pelo quinto dia seguido, com perdas de 0,07%, aos 93.662,01 pontos. O volume total negociado foi de R$ 14,1 bilhões.

Hoje, o ministro da Economia, Paulo Guedes, se reuniu com o presidente Jair Bolsonaro e demais ministros, o que trouxe expectativas de que as farpas trocadas entre Bolsonaro e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) possam ser atenuadas e terem menor impacto sobre o andamento da reforma da Previdência. Guedes também fez declarações nesta tarde nas quais admitiu problemas na articulação, mas reforçou que a reforma deve seguir no foco.

“Bolsonaro teria recomendado aos ministros presentes na reunião de hoje, que envidassem todos os esforços para melhorar o relacionamento com o presidente da Câmara e assim tratar positivamente do que realmente interessa ao país”, disseram operadores da Correparti Corretora, em comentário de fechamento dos mercados.

Porém, investidores aguardam os próximos passos do governo com certa cautela e esperam a ida de Guedes a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) amanhã, onde pode comentar mais sobre a questão.

O ministro da Economia ainda teria feito comentários sobre a cessão onerosa da Petrobras, que deve sair em breve, o que segundo o analista da Guide Investimentos, Rafael Passos, fez com que as ações da estatal (PETR4 1,37%) passassem a subir com mais força, atenuando a queda do Ibovespa.

Já no cenário externo, as bolsas norte-americanas fecharam perto da estabilidade depois de mostrarem queda na maior parte do dia, o que também influenciou o índice. Preocupações com a desaceleração da economia global têm persistido no exterior.

O dólar comercial encerrou a sessão de hoje com queda de 1,17% sendo negociado a R$ 3,8570 para venda acompanhando um movimento global da divisa norte-americana de desvalorização frente as moedas de países emergentes. O dólar aprofundou uma queda ainda mais quando investidores souberam que o presidente Jair Bolsonaro irá focar na reforma da Previdência.

“A pacificação do governo após recentes entreveros com Maia [Rodrigo, presidente da Câmara dos Deputados] trouxe um alívio para o investidor, fortalecendo os investimentos no Brasil na aposta da aprovação da reforma da Previdência e fazendo o dólar cair hoje”, explicou o operador de câmbio de um grande banco.

Para o economista da Toro Investimentos, Rafael Winalda, o cenário externo está prevalecendo no câmbio hoje e é natural “um movimento corretivo depois do receio de desaquecimento da economia global” tomar conta dos mercados na semana passada, o que pressionou o dólar para cima.

Para amanhã, o operador de câmbio acredita que o dólar deve ajustar em uma correção após a queda acima de 1%. “Essa queda de hoje foi exagerada, não tivemos fundamentos econômicos ou políticos para cair mais de 1%, então uma correção amanhã seria natural”, afirmou.

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