Bolsa e dólar caem em dia de cautela por acordo comercial entre EUA e China

Por Eduardo Puccioni e Flavya Pereira

São Paulo – O Ibovespa encerrou as negociações com queda de 0,58% aos 94.257,56 pontos. O volume financeiro do mercado foi de cerca de R$ 14,1 bilhões. Após cair mais de 1% ao longo da sessão, o índice perdeu força na queda após a reunião entre os Estados Unidos e a China sobre a guerra comercial terminar de forma construtiva.

“São dois fatores que fez a queda perder força. O primeiro foi o secretário do Tesouro dos Estados Unidos der dito que as negociações com os chineses foram construtivas. O segundo fator é a declaração do Paulo Guedes de que a reforma da Previdência deve passar sem grandes alterações”, explicou Rafael Winalda, analista de investimento da Toro Investimento.

As negociações comerciais entre os Estados Unidos e a China foram encerradas nesta sexta-feira sem um anúncio de acordo, horas depois de o presidente norte-americano, Donald Trump, aumentar as tarifas sobre US$ 200 bilhões em produtos importados da China.

O Secretario de Tesouro, Steven Mnuchin, e Robert Lighthizer, representante comercial dos Estados Unidos, se encontraram com o vice-premiê Liu He na noite de quinta-feira e nesta manhã. O time chinês apareceu pronto para deixar os Estados Unidos nesta tarde sem nenhum anúncio sobre futuras conversas.

Para a próxima semana, o mercado terá um termômetro sobre o desenvolvimento da economia global. “Semana que vem tem PIB [Produto Interno Bruto] da Alemanha e da eurozona. Isso será um bom termômetro para ver se a desaceleração econômica mundial está de fato acontecendo ou não. Fora isso, a agenda é tranquila”, afirmou Pedro Galdi, analista de investimento da Mirae Asset Corretora.

O dólar comercial fechou em queda de 0,22% no mercado à vista, negociada a R$ 3,9450 para venda – ficando acima de R$ 3,90 pela quarta semana consecutiva – reagindo ao impasse nas negociações entre Estados Unidos e China em relação a guerra comercial provocando oscilações ao longo da sessão. O presidente norte-americano, Donald Trump, movimentou os mercados com tweets sobre o andamento nas tratativas entre os países. Na semana, o dólar fechou com valorização de 0,12%.

Na segunda parte dos negócios, comenta o diretor de câmbio, Jefferson Rugik, a moeda norte-americana voltou a perder valor, após também declarações do vice-primeiro-ministro chinês, Liu He, que informou que as negociações com os Estados Unidos foram “razoavelmente bem”. O viés de proteção à véspera do fim de semana prevaleceu no mercado local. “Está tendo muito hedge [proteção] no mercado futuro em razão desses eventos aqui e lá fora”, diz o diretor de uma corretora de câmbio.

Na reta final dos negócios, as declarações vieram de Trump, em seu perfil no Twitter, que a relação entre ele e o presidente da China, Xi Jinping, continua sendo “muito forte, e conversas no futuro continuarão”. Ainda assim, os Estados Unidos impuseram tarifas à China que entraram em vigor hoje, “que podem ou não ser removidas dependendo do que acontecer com relação a futuras negociações”, afirmou Trump.

Segundo os analistas do Bradesco, caso as negociações de hoje fracassem, todos os produtos importados pelos Estados Unidos – aproximadamente US$ 550,0 bilhões – pagarão 25% de tarifa. “Em suma, se essa recente escalada na tensão comercial resultar em tarifas comerciais mais altas entre as duas principais economias do mundo, a equipe econômica do Bradesco projeta que o Produto Interno Bruto (PIB) global deve ser rebaixada, dos atuais 3,3% para algo mais próximo de 2,8% em 2019”, comentam.

Na próxima semana, o mercado seguirá atento à guerra comercial entre Estados Unidos e China, reforçam os analistas. “Qualquer novidade sobre a guerra comercial fará preço na segunda-feira. Principalmente, vindo do Trump”, reforça o diretor da corretora.

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