Bolsa e dólar caem com dados sobre economia dos EUA e incerteza com Previdência

Por Danielle Fonseca e Flavya Pereira

São Paulo – Após oscilar entre os campos negativo e positivo ao longo do dia, o Ibovespa fechou em queda de 0,35%, aos 96.952,76 pontos, refletindo uma realização de lucros das ações da Petrobras depois da definição do acordo da cessão onerosa. Investidores também aguardam com maior cautela novidades sobre a reforma da Previdência. O volume total negociado foi de R$ 15,5 bilhões, impulsionado pelas ações preferenciais da estatal, que sozinha movimentou quase R$ 1,8 bilhão.

Os papéis da Petrobras (PETR3 -0,55%; PETR4 -1,30%) fecharam em queda mostrando uma realização de lucros depois que ficou definido que a companhia vai receber da União o valor de US$ 9,058 bilhões relativo ao acordo da cessão. “Foi quase em linha com o que o mercado já vinha precificando, já se falava na possibilidade de US$ 9 bilhões desde a semana passada”, disse o analista da Guide Investimentos, Victor Beyruti.

No front político, por sua vez, investidores devem aguardar notícias mais concretas sobre a reforma da Previdência e sobre o seu andamento, depois que o projeto contou com parecer favorável do relator na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) ontem. A líder do governo no Congresso Nacional, Joice Hasselman (PSL-SP) disse hoje que há o entendimento entre deputados membros da CCJC para votar o parecer do relator Marcelo Freitas (PSL-MG) na próxima terça-feira (16).

“O noticiário em torno da reforma da Previdência foi positivo desde ontem. Apesar do barulho da oposição, o cronograma está dentro do prazo. Mas ao mesmo tempo acredito que isso não vai impulsionar os mercados porque não tem nada definido. Já há expectativa de que a reforma seja aprovada, o que não sabemos é o quanto será desidratada”, disse o analista.

Já no cenário externo, a ata do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), que chegou a trazer alguma cautela, não trouxe surpresas ao reiterar o tom mais “dovish” e indicar que a taxa deve permanecer inalterada até o fim do ano.

Nos próximos dias, analistas acreditam que a reforma continuará no foco, mas a expectativa agora é pela votação na CCJC na semana que vem e escolha do relator da comissão especial, próxima etapa da tramitação. “Todo dia teremos alguma coisa sobre a Previdência e oscilações no meio do caminho fazem parte”, disse o economista-chefe da Codepe Corretora, José Costa.

O dólar comercial fechou em queda de 0,77% frente ao real, negociado a R$ 3,8250 para venda, em dia de agenda cheia no exterior com a divulgação de indicadores econômicos e agenda de política monetária. Aqui, notícias sobre a reforma da Previdência ajudaram a manter o ambiente positivo para o real.

No início dos negócios, o resultado da inflação dos Estados Unidos (CPI, na sigla em inglês) com alta de 0,4% em março ante fevereiro, acima da previsão de alta 0,3%, e com o núcleo do índice de preços ao consumidor em alta de 2,0% nos 12 meses encerrados em março, ante previsão de alta de 2,1%, corroboraram para uma queda generalizada da moeda no exterior, principalmente, frente às moedas de países emergentes.

“Vieram mais fracos do que o previsto, sinalizando que o Fed [Federal Reserve, o banco central norte-americano] não deve elevar a taxa de juros tão cedo”, comenta o diretor de câmbio da Correparti, Jefferson Rugik. Ainda sobre o Fed, no meio da tarde foi divulgada a ata da última reunião do comitê de política monetária, vista pelo mercado como “sem surpresas”, mas que levou o dólar a cair 1%, renovando a mínima do dia a R$ 3,8160 (-1,01%), após a sua divulgação.

Para Rugik, o discurso do ministro da Economia, Paulo Guedes, durante evento em Nova York, enfatizando que, se a reforma da Previdência “for aprovada logo”, os fluxos de capitais devem retornar ao País. O vice-presidente, Hamilton Mourão, também deu declarações e diz acreditar que a proposta será aprovada até agosto. 

Amanhã, com a agenda de indicadores com “menos peso” para impactar o dólar, o economista da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa, reforça que o dólar poderá ter um cenário de correção técnica, vista a “expressiva” queda no pregão de hoje, chegando a mínima de R$ 3,8250.

“Deve ficar à mercê de questões políticas nos Estados Unidos, do ReinoUnido com o Brexit [acordo de saída do Reino Unido da União Europeia] e aqui, claro com a Previdência, do que com dados capazes de reverter a tendência da moeda”, reforça Rosa.

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