Bolsa e dólar caem com cenário externo adverso e atuação do BC

Por Danielle Fonseca e Eduardo Puccioni

São Paulo – As preocupações com a guerra comercial e uma desaceleração da economia global fizeram o Ibovespa mostrar forte volatilidade ao longo do pregão de hoje e encerrar em queda de 1,19%, aos 99.056,91 pontos, no menor patamar de fechamento em quase dois meses, desde o dia 17 de junho (97.623,25 pontos). Na mínima do dia, o índice chegou a atingir 98 mil pontos (98.200,36 pontos). O volume total negociado foi de R$ 22,09 bilhões.

O índice chegou a abrir em alta com sinalizações da China de que ainda é possível chegar a um acordo comercial com os Estados Unidos, porém, logo virou para queda com investidores ainda preocupados com o impacto da guerra comercial na economia, já que a taxa do título norte-americano com prazo de 10 anos caiu para abaixo de 1,50%, se igualando à taxa dos títulos com vencimento em dois anos e voltou a elevar a aversão ao risco durante à tarde. Ontem, a curva de juros norte-americana já havia invertido pela primeira vez desde a crise financeira, anomalia que é vista como um indicador de recessão econômica, e que fez o Ibovespa recuar 2,94%.

“A inversão da curva de juros norte-americana está deixando o mercado estressado, na dúvida se isso vai novamente indicar uma recessão”, disse o economista da Órama Investimentos, Alexandre Espírito Santo. Para o economista, o mercado está confuso com os sinais de desaceleração, em função da guerra comercial, e outros eventos ocorrido no exterior recentemente, como a escalada de protestos em Hong Kong e as eleições na Argentina, o que se traduz em volatilidade.

Porém, na sua avaliação, os indicadores norte-americanos não apontam para uma recessão da economia do país por enquanto. “Nessas horas, o mercado estressa e há investidores que começam a agir muito mais por impulso do que por racionalidade, mas o momento exige calma, prudência”, alertou.

Segundo o analista da Terra Investimentos, Régis Chinchila, as preocupações com a desaceleração global e com a guerra comercial também têm pressionado os preços de commodities, como os preços do minério de ferro e do petróleo. Com isso, as ações da Vale (VALE -2,54%) e de siderúrgicas, pesaram negativamente hoje. Entre as siderúrgicas, chamou a atenção a queda da Usiminas (USIM5 -4,24%) e da Gerdau (GGBR4 -3,61%). Os papéis da Petrobras (PETR3 -2,65%; PETR4 -2,96%) também fecharam com quedas significativas.

Já as maiores baixas do Ibovespa ficaram com os papéis da Sabesp (SBSP3 -5,93%) e da Ultrapar (UGPA3 -8,41%), que refletiram balanços trimestrais negativos. Na contramão, as maiores altas foram das ações da JBS (JBSS3 4,64%), que chegaram a subir mais de 11% pela manhã após um balanço mais forte do que o esperado.

Amanhã, em dia de agenda de indicadores vazia, investidores devem continuar acompanhando o cenário externo e o movimento da curva de juros nos Estados Unidos, o que analistas acreditam que pode continuar trazendo volatilidade para a Bolsa, depois do Ibovespa ter rompido pisos importantes, como os dos 100 mil pontos.

O dólar comercial encerrou a sessão de hoje com queda de 1,26%, cotado a R$ 3,9900. A desvalorização do dólar frente ao real ainda reflete a incerteza dos investidores sobre uma possível recessão da economia global. Além disso, o real também se valorizou frente a outras divisas após o Banco Central (BC) anunciar a injeção de dólar à vista no mercado a partir da próxima semana.

Atrelado a tudo isso, o banco central mexicano também decidiu por lá em reduzir a taxa básica de juros do país em 0,25 ponto percentual (pp), para 8,00% ao ano. O mercado esperava uma manutenção da taxa. Esse efeito fez o real se valorizar frente ao peso mexicano.

“Sabemos bem que o BCB não tem meta de câmbio e se tivesse a melhor coisa que poderia fazer é não revelar que a tenha, caso contrário o mercado iria operar contra a Autoridade Monetário no patamar indicado. Dito isso o óbvio se impõe: o que o BCB quer fazer é atingir duas metas com esta intervenção. A primeira é diminuir a volatilidade, a segunda é “dar saída” para empresários expostos à dólar que precisam hedgear suas posições. Ambos objetivos corretos de política monetária”, explicou André Perfeito, economista-chefe da Necton Corretora.

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