Bolsa cai mais de 3% e dólar sobe mais de 2%

São Paulo – O Ibovespa encerrou as negociações de hoje com queda de 3,57% aos 91.903,40 pontos, em dia de aversão ao risco mundial e falas políticas importantes no Brasil. O volume financeiro do mercado foi de aproximadamente de R$ 19,1 bilhões.

O ministro da Economia Paulo Guedes participa agora de audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Entre os pontos mais importantes na fala do ministro e que afetou diretamente o mercado, o primeiro foi Guedes dizer que não tem apego ao cargo e caso o Congresso demonstre que não haverá aprovação da Previdência, que ele deixará a pasta.

“Se não quiserem meu serviço, não tenho apego ao cargo. Não desisto na primeira derrota, mas tenho uma vida lá fora”, disse o ministro da Economia. Depois Guedes afirmou que a aprovação ontem na Câmara sobre o orçamento impositivo pode acelerar o processo do governo estourar o teto da dívida. “Por outro lado, ninguém mais legítimo para dizer como gastar os recursos do que o deputado eleito”, disse Guedes.

De acordo com Álvaro Bandeira, economista-chefe do banco digital Modalmais, existe uma grande possibilidade de o Senado também aprovar o orçamento impositivo e isso tem mostrado uma articulação fraca do governo no Congresso. “Com tudo isso, o dólar e a Bolsa acompanharam, com dólar subindo e Ibovespa caindo. É preciso que o governo coloque a reforma da Previdência nos trilhos novamente”, afirmou Bandeira.

Para Matheus Amaral, analista de investimentos da Toro Investimento, além da cena política interna, o ambiente externo também foi de muita aversão ao risco, com sinais de desaquecimento da economia global. “O cenário externo está pessimista. Investidores estão de olho na curva de juros que vem indicando um desaquecimento da economia. O dia foi de fundamentos negativos, tanto econômico quanto político”, explicou Amaral.

Na principal derrota do governo até o momento, ontem a Câmara aprovou em dois turnos de votação, por mais de 400 votos em cada turno, uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC 2/2015) que estava parada desde 2015 e que aumenta a proporção de gastos obrigatórios do governo, o que na prática impõe mais restrições à parcela dos gastos que podem ser gerenciados pelo Palácio do Planalto.  A votação aconteceu no mesmo dia em que Guedes, cancelou de última hora sua participação na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC), a primeira a analisar a reforma da Previdência.

O dólar comercial encerrou as negociações de hoje com alta de 2,27%, sendo cotado a R$ 3,9550 para venda, com investidores passando a questionar a capacidade do governo em conseguir articular a votação para uma possível aprovação da reforma da Previdência. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em abril de 2019 fechou com alta de 3,03%, a R$ 3,995.

“O mercado está resguardado. Mercado quer mais ação do governo do que fala, quer uma articulação maior do Bolsonaro [Jair, presidente do Brasil]”, afirmou Matheus Amaral, analista de investimentos da Toro Investimentos, que afirmou ainda que a aversão ao risco no cenário externo também influenciou na alta da moeda hoje. “Investidores estão de olho no desaquecimento da economia global”, disse o especialista.

“O governo precisa colocar nos trilhos novamente a aprovação da reforma da Previdência. No curto e médio prazo a Previdência não interfere tanto na economia, mas é a credibilidade do governo no Congresso que está sendo analisada”, afirmou Álvaro Bandeira, economista-chefe do banco digital Modalmais, afirmando ainda que é possível que o Senado também aprove o orçamento impositivo, já aprovado ontem pela Câmara dos Deputados.

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