Bolsa cai mais de 1% e dólar sobe 0,4% em dia de baixa liquidez

23/11/2018 19:03:01

Por: Danielle Fonseca e Flavya Pereira / Agência CMA

São Paulo – O Ibovespa fechou em queda de 1,42%, aos 86.230,22 pontos, refletindo as fortes perdas dos preços do petróleo, que chegaram a recuar mais de 8% hoje, diante de uma percepção de desaceleração do crescimento da economia global. Esse receio refletiu principalmente nas ações da Petrobras e da Vale. Já no Brasil, investidores seguiram analisando as últimas nomeações do governo de Jair Bolsonaro.

O volume negociado hoje foi de R$ 13,8 bilhões, abaixo da média do volume registrado ao longo do mês, em função do pregão mais curto do mercado acionário norte-americano, que encerrou às 16h hoje devido à emenda do feriado de Ação de Graças e da Black Friday. Na semana, marcada por feriados no Brasil e no exterior, o Ibovespa acumulou perdas de 2,58%.

“O petróleo e receio em relação à China pesaram muito sobre a Petrobras e Vale. A desaceleração do crescimento global preocupa bastante” disse o analista da Terra Investimentos, Régis Chinchila. Os temores com o excesso de oferta em um ambiente de demanda mais fraca devido à desaceleração da economia global foram as responsáveis pela expressiva queda dos preços dos contratos de petróleo hoje. O WTI, que chegou a recuar mais de 8%, terminou o dia no menor patamar desde outubro de 2017 e registrou a maior perda diária desde julho de 2015.

Além do clima de maior aversão ao risco no cenário externo, analistas seguem observando as nomeações do governo de Jair Bolsonaro. Os nomes de Rubens Novaes para o Banco do Brasil e de Pedro Guimarães para a Caixa Econômica foram aprovados pelo mercado por terem o perfil liberal e privatista, o que pode impulsionar a venda de ativos dos bancos.

Entretanto, ainda há alguma reserva sobre como as indicações para ministérios devem influenciar na governabilidade de Bolsonaro. “Os nomes da equipe econômica de Paulo Guedes são todos muito afinados com a economia liberal e talentos reconhecidos pelo mercado financeiro. A dúvida é: tal equipe irá conseguir dialogar com o próprio governo e com o congresso? Existe o receio de que Bolsonaro esteja arrumando mais problemas do que construindo uma  base aliada”, disse o economista da Guide Investimentos, Victor Cândido.

Na semana que vem, analistas acreditam que o cenário externo pode continuar trazendo riscos e volatilidade, já que são esperadas definições do Brexit, discursos do presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, e do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell, e o início da reunião do G-20, quando deve ocorrer o encontro entre o presidentes dos Estados Unidos e da China.

Já no mercado local, está no radar a possibilidade da cessão onerosa da Petrobras ainda ser votada e as próximas nomeações do governo Jair Bolsonaro. Com os principais nomes já escolhidos, é aguardado qual será o ministro de Minas e Energia e ainda possíveis detalhes de reformas que pretendem votar. “Investidores estrangeiros ainda estão aguardando propostas do novo governo, ainda há muitos comentários e pouca coisa concreta”, acredita o analista da Terra Investimentos.

O dólar comercial fechou a sessão em alta de 0,42%, negociado a R$ 3,8230 para venda, em dia de baixa liquidez e poucos negócios influenciado pelo funcionamento parcial do mercado norte-americano, que encerrou o pregão às 16 horas (de Brasília), estendendo as comemorações do dia de Ação de Graças, ontem. Além disso, o ambiente foi negativo no exterior. Na semana, reagindo aos feriados local e nos Estados Unidos, o dólar subiu 2,24%.

Lá fora, a disputa comercial entre Estados Unidos e China ganhou um novo capítulo e levou mau humor ao mercado após o presidente norte-americano, Donald Trump, iniciar um movimento pela redução, ou até o fim, do uso de equipamentos de telecomunicação da empresa chinesa Huawei Technologies por países aliados, como Japão, Alemanha e Itália, alegando riscos de segurança cibernética.

“A questão não foi a postura de Trump, e sim o “banho de água fria” que representa aos mais otimistas com o encontro entre o presidente norte-americano e o presidente chinês, Xi Jinping [na semana que vem, durante o G20, na Argentina]”, comenta a equipe econômica de uma corretora nacional. Caso não haja acordo entre as duas maiores economias do mundo, os Estados Unidos elevarão as tarifas de 10% para 25% de produtos importados da China na virada do ano. Por outro lado, a China deve retaliar a medida.

O diretor da Correparti, Ricardo Gomes, comenta que o “tombo” do preço do barril do petróleo também corroborou para os investidores buscarem “refúgio na moeda estrangeira, em detrimento aos ativos de risco”. O preço do petróleo WTI caiu mais de 8%, acima dos US$ 50 o barril, no menor patamar desde outubro de 2017 e na maior perda diária desde julho de 2015.

Na próxima semana, sem feriados aqui ou no exterior, a expectativa é de retorno dos investidores e fluxo normalizado com a agenda carregada de indicadores, além de falas do Federal Reserve (Fed, o banco norte-americano). O preço do petróleo WTI, que fechou a semana com queda de 10,70%, seguirá no radar dos investidores.

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