Bolsa cai e dólar sobe na expectativa pelo tamanho do corte dos juros nos Estados Undiso

Por Danielle Fonseca e Flavya Pereira

São Paulo – Após uma semana morna, o Ibovespa acelerou a queda durante a tarde desta sexta-feira e fechou em baixa de 1,20%, aos 103.451,93 pontos, acompanhando as falas de membros do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), que trouxeram dúvidas sobre qual será o tamanho do corte de juros nos Estados Unidos. Na cena doméstica, o destaque foras as fortes perdas de ações de bancos diante de um noticiário esvaziado. O volume total negociado foi de R$ 13,7 bilhões. Na semana, o índice recuou 0,44%.

Segundo o analista da Terra Investimentos, Régis Chinchila, as afirmações do presidente do Fed de Saint Louis, James Bullard, que disse que um corte de 0,25 ponto percentual (pp) nos juros seria preventivo, além de declarações de outros membros do Fed, mexeram com o mercado entre ontem e hoje.

O sócio da Criteria Investimentos, Vitor Miziara, também destacou a fala como a responsável pela queda de hoje, já fez “diminuírem as apostas de queda de 0,50 ponto percentual” dos juros.

No pregão anterior, investidores se animaram com declarações do presidente da unidade do Fed de Nova York, John Williams, que foi interpretada como sinalização de cortes mais agressivos de juros na próxima reunião do Fed, o que fez as apostas em um corte de 0,50 pp aumentarem. No entanto, posteriormente, foi esclarecido que Williams não buscava dar sinalizações sobre os juros, o que, somado à fala de Bullard hoje, ajudou as apostas em 0,50 pp voltarem a reduzir. Uma taxa de juros mais baixa nos Estados Unidos é positiva para ativos de risco e de países emergentes como o Brasil, com investidores em busca de maiores lucros.

Já na cena doméstica, o noticiário segue esvaziado com o recesso parlamentar e com investidores esperando ainda que o governo não demore a anunciar medidas para estimular a economia no curto prazo. Havia expectativa de que a liberação de saques do FGTS pudesse ser anunciada nesta semana, mas o anúncio ficou para a semana que vem em função de ajustes para não prejudicar o setor de construção civil.

Entre as ações que mais pesaram para a queda de hoje estão as de bancos, como as do Itaú Unibanco (ITUB4 -2,59%) e as do Bradesco (BBDC4 -2,26%). Além de estarem corrigindo parte das altas de ontem na esteira de expectativas de cortes de juros mais fortes, o analista do banco Daycoval, Enrico Cozzolino, citou a reportagem do jornal “O Globo”, que afirma que o ex-ministro Antonio Palocci afirmou, em acordo de delação premiada homologado pela Justiça, que alguns dos principais bancos do país fizeram doações eleitorais que somam R$ 50 milhões a campanhas do PT em troca de favorecimentos nos governos do partido. Os bancos negam irregularidades.

Já as maiores perdas do Ibovespa foram das ações da Suzano (SUZB3 -4,06%), da MRV (MRVE3 -4,28%) e da Magazine Luiza (MGLU3 -3,62%), que devolveram ganhos dos dias anteriores. Na contramão, as maiores altas foram da BRF (BRFS3 1,49%), Natura (NATU3 1,03%) e da JBS (JBSS3 0,42%).

Na semana que vem, investidores devem continuar acompanhando possíveis sinalizações sobre cortes de juros nos Estados Unidos, com a proximidade da reunião do Fed. Ainda no radar está tensão entre os Estados Unidos e o Irã. Já no Brasil, será aguardado o anúncio de liberação do FGTS provavelmente na quarta-feira.

O dólar comercial fechou em alta de 0,45% no mercado à vista, cotado a R$ 3,7460 para venda, influenciado pelo movimento de correção no exterior após o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) da unidade Nova York, declarar que o discurso do presidente da unidade, John Williams sobre “postura mais agressiva dos bancos centrais” não reflete a decisão da autoridade monetária. A moeda norte-americana encerra a semana com valorização de 0,18%.

“A recuperação da divisa lá fora está associada a percepção de que o Fed adotará postura mais conservadora em relação ao corte dos juros na próxima reunião [em 30 e 31 de julho]. A nova leitura, embutida nos discursos de dirigentes da instituição, permite concluir que o corte estaria sendo revisado de 0,50 para 0,25 ponto percentual [pp], em linha com as projeções iniciais”, avalia o diretor da Correparti, Ricardo Gomes.

Para a equipe econômica do Bradesco, após o presidente do Fed, Jerome Powell, compartilhar a visão de riscos globais, em discurso esta semana, ele e outros representantes da instituição reforçaram a necessidade de adoção de uma política monetária mais frouxa nos Estados Unidos. “Esperamos dois cortes de 0,25 pp da taxa de juros neste ano, começando neste mês. Nesse ambiente, as moedas de países emergentes mantêm tendência de apreciação”, ressaltam.

Na próxima semana, a agenda de indicadores no exterior fica no radar dos investidores com a divulgação dos índices de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) nos Estados Unidos, Alemanha, na zona do Euro e na Ásia. Além da primeira leitura do Produto Interno Bruto (PIB) norte-americano no segundo semestre. Ainda na zona do euro, tem a decisão de política monetária do Banco Central Europeu (BCE).

“São dados importantes que merecem atenção, principalmente, o comunicado do BCE sobre a política monetária e como se dará os estímulos para os próximos meses. As decisões do banco central da Europa estão sendo monitoradas pelo mercado, já que há sinais claros de desaceleração da economia naquela região”, comenta o analista de investimentos de uma corretora nacional.

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