Bolsa cai e dólar sobe em mais um dia de aversão ao risco com guerra comercial entre EUA e China

Por Eduardo Puccioni e Flavya Pereira

São Paulo – Após bater uma queda superior a 2% ao longo da sessão, o Ibovespa encerrou o dia com queda de 0,65% aos 94.388,73 pontos. O volume financeiro do mercado foi de aproximadamente R$ 18,0 bilhões. Analistas de mercado divergem sobre o motivo do recuo na queda, mas é importante ressaltar que durante a tarde foi confirmada a presença do ministro da Economia, Paulo Guedes, na comissão especial da Reforma da Previdência, que acontece amanhã.

Outro motivo destacado pelas analistas é a temporada de balanços corporativos, com investidores, principalmente day traders, fazendo posição na expectativa de algum resultado bom. “Hoje temos um evento importante que é o balanço da Petrobras e isso sempre cria expectativa para os investidores”, afirmou Alexandre Espírito Santo, economista da Órama Investimentos. Hoje as ações preferenciais da Petrobras (PETR4) caíram 1,56%, enquanto as ações ordinárias da estatal (PETR3) recuaram 1,08%.

“Apesar de tudo que vem acontecendo lá fora com a questão entre Estados Unidos e China, dá pra dizer que o mercado aqui tem sido muito mais influenciado pelo noticiário interno do que pelo externo. Mercado está mais de olho na Previdência e nas rusgas que acontecem diariamente dentro do governo. Nós precisamos primeiro resolver nossas questões internas para depois o investidor se preocupar com que acontece lá fora”, explicou Alexandre.

Mais cedo, um analista de um grande banco havia afirmado que a confirmação de Paulo Guedes na comissão especial da Câmara dos Deputados amanhã é que ajudou o Ibovespa a perder força na queda. “Essa confirmação do Guedes na comissão amanhã trouxe uma ponta de esperança ao investidor, já que o ministro vem demonstrando vontade em articular logo o processo da reforma da Previdência”, disse.

O presidente da comissão especial da Câmara dos Deputados que analisará a reforma da Previdência, Marcelo Ramos (PR-AM) confirmou hoje a presença de Guedes na comissão amanhã. Ele acrescentou que a previsão do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), de votar a reforma da Previdência no plenário em julho, está mantida, e alegou que não fará estimativas sobre o cronograma de tramitação porque há fatores que fogem do controle da comissão.

“O importante é a reforma da Previdência. Não é nem quando vai acontecer, mas apostamos início de agosto. O importante mesmo é o montante que será economizado. Essa demora deixa o mercado chato. Os fundos já reduziram muito a sua alocação no Brasil desde o início do ano, o mercado tá sem graça”, concluiu Alexandre.

Para amanhã, a tendência do mercado segue negativo até o momento, dependendo dos resultados financeiros de hoje, mas com duas quedas seguidas do Ibovespa, sempre abre espaço para compra, avaliaram os especialistas. Com isso, o Ibovespa deve oscilar entre altas e baixas na sessão de amanhã, esperando notícias para definir um viés.

O dólar comercial fechou em alta de 0,27% no mercado à vista, negociado a R$ 3,9700 para venda, depois de romper o patamar de R$ 4,00 (R$ 4,0010, +1,06%) no início do pregão exibindo a aversão global ao risco, com o mercado externo ainda apreensivo com a tensão comercial entre Estados Unidos e China, e atento às notícias em torno da reforma da Previdência e da política local.

“A questão comercial entre norte-americanos e chinês continuou afetando o mercado hoje, principalmente, nas primeiras horas de pregão. Depois, teve um movimento de fluxo de venda, com investidores estrangeiro aproveitando o patamar, o que levou o dólar a voltar um pouco”, comenta o economista-sênior do banco Haitong, Flávio Serrano.

O analista de câmbio da Correparti, Guilherme França, destaca que, não bastasse o mau humor externo que prevaleceu, principalmente entre as moedas de países emergentes, aqui, as preocupações com o cenário político voltaram à medida em que “integrantes militares e olavistas do governo” voltaram a trocar farpas na internet.

O analista destaca que, com esse cenário, o dólar manteve a força, mas desacelerou no começo da tarde reagindo a vendas de exportadores e com os investidores locais monitorando a comissão especial da reforma da Previdência.

Amanhã, na agenda de indicadores, o destaque é a decisão de política monetária do Banco Central (BC) brasileiro, após o fechamento do mercado. “O mercado espera o comunicado com expectativa de pistas sobre uma possível queda de juros na próxima reunião – em junho – do Copom [Comitê de Política Monetária]”, diz o operador de câmbio da Advanced, Alessandro Faganello.

O operador acrescenta que a guerra comercial entre norte-americanos e chineses, e os desdobramentos da Previdência tendem a fazer preço amanhã. “É preciso acompanhar o comportamento dos partidos do Centrão na comissão especial”, ressalta.

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