Bolsa cai e dólar sobe em dia de tensão entre Estados Unidos e China

Por Eduardo Puccioni e Flavya Pereira

São Paulo – O Ibovespa encerrou as negociações de hoje com queda de 1,04% aos 95.008,66 pontos. O Volume financeiro do mercado foi de aproximadamente R$ 10,0 bilhões. O índice sofreu forte influência do cenário externo mais cauteloso após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a guerra comercial do país com a China.

“Internamente não tivemos nada tão positivo que pudesse apagar a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China. Esse episódio deixou o investidor cauteloso e fora do mercado, com volume do Ibovespa baixo. Lá fora foi a mesma sensação, por isso os mercados fecharam em queda”, afirmou um analista de mercado de um grande banco.

“O volume projetado da Bolsa hoje está em R$ 8,5 bilhões. Não tenho muito o que dizer, pois já sabemos que a influência veio da declaração no Twitter do Trump sobre as tarifas que serão cobradas da China. Com isso, o Ibovespa acabou seguindo o mercado externo, que segue em queda”, explicou Ari Santos, gerente da mesa de operações da H. Commcor.

Para amanhã, o pessimismo dos investidores deve persistir com o índice caminhando de lado, sem uma tendência definida à espera de notícias positivas, mas com ligeiro viés de queda. “Não devemos ter grandes oscilações se nada de novo sair. Se seguir nesse clima, o viés é que pequena queda para o Ibovespa no pregão de amanhã”, afirmou o analista de mercado.

Em sua conta oficial no Twitter, Trump rejeitou a tentativa da China de renegociar os termos do acordo comercial proposto pelos Estados Unidos. Ele também indicou que vai manter a tarifa de importação de 25% sobre US$ 50 bilhões em produtos de alta tecnologia vindos da China e disse que até sexta-feira elevará de 10% para 25% a alíquota sobre outros US$ 200 bilhões em produtos chineses.

Trump também ameaçou taxar em 25% os demais US$ 325 bilhões em bens da China vendidos aos Estados Unidos. “O acordo comercial com a China continua, mas muito vagarosamente, porque eles tentam renegociar. Não!”, disse o presidente dos Estados Unidos em sua conta no Twitter.

A declaração de Trump foi feita dias antes de uma delegação da China viajar aos Estados Unidos para continuar as negociações comerciais. Em entrevista coletiva concedida hoje, um representante do Ministério de Relações Exteriores chinês disse que uma equipe do governo está se preparando para viajar aos Estados Unidos para “consultas”, mas não especificou quando essa visita acontecerá.

O ressurgimento da tensão entre os Estados Unidos e a China deixou em segundo plano o sinal de aumento na tensão entre a ala militar e a ala civil do governo federal.

O general Santos Cruz, ministro da Secretaria do Governo, tornou-se alvo de críticas no fim de semana depois de ressurgir nas redes sociais uma entrevista dele ao jornal “O Estado de S. Paulo” em que ele falou sobre disciplinar o uso das redes sociais. Os ataques vieram inclusive de Olavo de Carvalho, tido como uma pessoa influente sobre o governo do presidente Jair Bolsonaro e crítico conhecido dos quadros militares do Planalto.

Bolsonaro disse em sua conta no Twitter que no seu governo não haveria regulamentação sobre a mídia nem sobre as redes sociais. Ontem, ele se reuniu com Santos Cruz no Palácio da Alvorada e o ministro deixou o encontro sem conversar com jornalistas, de acordo com informações divulgadas por veículos da imprensa.

O dólar comercial fechou em alta de 0,48% no mercado à vista, negociado a R$ 3,9590 para venda, em dia de mau humor no mercado global reagindo às ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de elevar tarifas de 10% para 25% sobre US$ 200 bilhões em produtos chineses, em meio às negociações entre os dois países.

O economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa, é possível que Trump tenha acenado com negociações em um momento em que a economia norte-americana parecia entrar em nova crise, com as fortes quedas do mercado acionário dos Estados Unidos no fim de 2018.

“Agora ele [Trump] pode ter mudado de ideia, com dados econômicos que indicam economia forte, e assim, não veria risco em novamente hostilizar parceiros comerciais como a China e a Europa. A aversão ao risco deve voltar a imperar no mercado financeiro com a possibilidade de novas rodadas de aumentos de tarifas entre os Estados Unidos e a China”, diz Rosa.

A moeda estrangeira chegou a operar acima de R$ 3,97 (R$ 3,9760; +0,91%) logo na abertura dos negócios, mas ao longo do pregão, recuou os ganhos renovando mínimas (R$ 3,9490; +0,29%) e exibindo poucas oscilações.  

Amanhã, com a agenda de indicadores mais fraca no exterior e aqui, a guerra comercial entre norte-americanos e chineses ficará no radar dos investidores à espera de novos desdobramentos. Até o momento, uma delegação chinesa irá a Washington na quarta-feira para mais uma rodada de negociações.

Aqui, a reforma da Previdência voltará a ser discutida na comissão especial da Câmara dos Deputados e deve elevar a tensão do mercado. “O nome do jogo nesta semana será volatilidade. O início da conversa sobre a reforma na comissão especial sugere maior volatilidade, tendo espaço para o dólar voltar ao patamar de R$ 4 reais, ou próximo, ao longo da semana a depender dos comentários sobre o tema”, avalia a economista-chefe da Ourinvest, Fernanda Consorte.

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