Bolsa cai e dólar sobe em dia de frustração com decisão do BCE e balanços corporativos

Por Danielle Fonseca e Flavya Pereira

São Paulo – O Ibovespa fechou em queda de 1,40%, aos 102.645,58 pontos, no menor patamar desde o dia 3 de julho (102.043,11 pontos), após o Banco Central Europeu (BCE) frustrar expectativas do mercado de sinalizações mais agressivas de cortes de juros. O índice também refletiu as fortes perdas de ações do Bradesco, apesar de um balanço trimestral positivo. A queda do Ibovespa só não foi maior devido à alta de mais de 9% das ações da Ambev, que também divulgou seus resultados trimestrais e têm grande peso Ibovespa.

O BCE manteve a taxa de juros inalterada e afirmou em comunicado que estuda alternativas como compras de ativos, porém, o presidente da autoridade monetária, Mario Draghi, disse que quer ver novas projeções antes de adotar medidas, que não chegaram a ser discutidas hoje. As declarações de Draghi foram interpretadas como uma possível demora para o início de cortes de juros e estímulos, o que fez os principais mercados acionários passarem a cair.

“O comunicado do BCE animou no primeiro momento, mas parece que o tom do Draghi não confirmou a visão otimista. Acredito que o mercado entendeu que um corte de juros ainda pode demorar”, disse o analista da Terra Investimentos, Régis Chinchila.

Na cena doméstica, o destaque foram balanços trimestrais como o do Bradesco, que apesar de ter mostrando dados considerados positivos e em linha com o esperado pelo mercado, mostrou forte queda hoje (BBDC4 -5,82%). Para analistas, alguns sinais podem ter levado o mercado a acreditar que os próximos resultados do banco já não apresentarão a mesma força, além de investidores terem aproveitando para embolsar lucros com ganhos recentes dos papéis.

“O resultado não foi ruim e a queda foi exagerada, mas acredito que foi uma realização de lucros que pode até gerar oportunidades de compra”, disse o analista de investimentos do banco Daycoval, Enrico Cozzolino.

Na contramão, entre as maiores altas do Ibovespa ficaram as ações da Ambev (ABEV3 8,24%), que dispararam refletindo resultados trimestrais melhores do que o esperado e impediram uma queda ainda maior do Ibovespa.

Na agenda de amanhã, o destaque é o PIB do Estados Unidos, às 9h30, que pode dar mais sinais sobre quais podem ser os próximos passos do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), com investidores receosos depois das sinalizações do BCE.

O dólar comercial fechou em alta de 0,37% no mercado à vista, cotado a R$ 3,7840 para venda – no maior valor desde a aprovação do texto-base da reforma da Previdência em primeiro turno no plenário da Câmara dos Deputados. O movimento do mercado foi influenciado pelo discurso mais conservador do presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi.

No discurso, Draghi reforçou que as informações recebidas desde a última reunião do Conselho do BCE no início de junho indicam que, enquanto ganhos adicionais de emprego e salários crescentes continuam a sustentar a resiliência da economia, o abrandamento da dinâmica do crescimento global e o fraco comércio internacional continuam a pesar nas perspectivas da zona do euro. Ele disse ainda que as chances de recessão na região são mínimas.

Para os analistas da Capital Economics, a reação do mercado ao discurso do BCE sugere que Draghi não foi tão “dovish” (suave) quanto alguns investidores esperavam. “Mas o quadro geral é que parece claro que o afrouxamento monetário está chegando. Esperamos que o BCE reduza a taxa de depósito [hoje em -0,40%] em setembro e anuncie uma nova rodada de compra de ativos em outubro”, analisam.

Amanhã, na agenda de indicadores, o destaque fica para a prévia do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos no segundo trimestre. “O dado pode sancionar as expectativas de que o Fed [Federal Reserve, o banco central norte-americano] reduza o juro na quarta-feira”, comenta o economista da Tendências Consultoria, Silvio Campos.

Na quarta-feira, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) definirá a taxa de juros em que há uma forte aposta de afrouxamento monetário, agora, inclinada a 0,25 ponto percentual (pp). Para Campos, a política monetária de BCs ao redor do mundo deverá influenciar o movimento dos mercados amanhã.

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