Bolsa cai e dólar sobe em dia de forte volatilidade nos mercados

11/01/2019 18:55:40

Por: Danielle Fonseca e Flavya Pereira / Agência CMA

São Paulo – Após três dias seguidos de alta e de renovação de recordes, o Ibovespa fechou em ligeira queda de 0,15%, aos 93.658,31 pontos, em linha com a baixa das bolsas norte-americanas e mostrando uma realização de lucros pontual. O volume total negociado hoje foi de R$ 16,1 bilhões. Na semana, o índice acumulou alta de 1,97%. Já no ano, em oito pregões, acumula ganhos de 6,57%, mostrando queda em apenas duas sessões.

“O quadro externo ficou mais negativo hoje, até porque lá fora teve um rali muito forte recentemente, mas de qualquer forma o Ibovespa se sustentou perto dos 94 mil pontos, não vejo a queda de hoje como negativa”, disse o analista da Guide Investimentos, Rafael Passos.

Além de investidores aproveitarem para embolsar lucros em algumas ações hoje, o analista também acredita que é natural uma pausa diante de questões ainda sem definição no exterior, como o Brexit, que deve ter votação na próxima terça-feira (15); o orçamento norte-americano, que segue parado com impasse em torno do muro na fronteira com o México; e as negociações comerciais entre Estados Unidos e China, que continuarão mais a frente depois de nova rodada de conversas nesta semana.

Já no mercado doméstico, investidores também aguardam detalhes da proposta para a reforma da Previdência, que está sendo elaborado pelo novo governo e deve ser entregue na semana que vem ao presidente Jair Bolsonaro.

“O mercado tem puxado alguns papéis que ficaram mais atrasados, ações que caíram e estavam atrativas. Mesmo assim, o papel da Log ainda está bastante descontado”, disse Passos. Também tiveram fortes ganhos as ações da Gol (GOLL3 7,35%), que divulgou projeções melhores para os próximos anos, e da Embraer (EMBR3 2,57%), que subiram após Bolsonaro dar aval à fusão com a Boeing, embora tenham reduzido ganhos.

Na semana que vem, analistas destacaram que a votação do acordo sobre saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit), na terça-feira, pode trazer cautela para os mercados, assim como a questão do orçamento norte-americano. Porém, acreditam que o Ibovespa deve manter o tom positivo. “A perspectiva continua otimista para a Bolsa, mas ela precisa de fluxo de gringo”, disse o economista-chefe da Home Broker Modalmais, Alvaro Bandeira, lembrando que investidores estrangeiros ainda não voltaram para a bolsa brasileira com mais força e não tem acompanhado o investidor local.

O dólar comercial fechou em alta de 0,10%, cotado a R$ 3,7140 para venda, em sessão de forte volatilidade, oscilando em campos positivo e negativo, com a ausência de notícias relevantes e com o exterior também operando sem direção definida.

Na ausência de notícias relevantes, investidores aproveitaram para realizar “lucro nas bolsas e comprar dólar como proteção ao fim de semana e, ainda, em função das incertezas a respeito da saúde econômica global”, comenta o analista de uma corretora nacional. Enquanto isso, a paralisação parcial das atividades do governo dos Estados Unidos, o “shutdown” passa de 20 dias e amanhã, baterá o recorde registrado em 1995, durante o governo de Bill Clinton.

“Não deixa de trazer desconforto ao mercado e, como consequência, sedimenta o sentimento de aversão ao risco dos players”, acrescenta o analista.

No início dos negócios, o mercado externo exibiu bom humor repercutindo a fala do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell, reforçando a “paciência” da autoridade com os juros norte-americanos, porém, “sem abrir mão da redução do balanço para níveis bem abaixo dos atuais, em que investidores parecem ter assimilado as falas e resumido a postura geral ainda como ‘dovish’ [suave]”, comenta a equipe econômica da H.Commcor.

Na próxima semana, a reforma da Previdência ficará no radar dos investidores já que os ministros da Economia, Paulo Guedes, e da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, “prometeram mostrar o projeto para o presidente Jair Bolsonaro. “A gente espera ter conhecimento da proposta também”, comenta o economista do Haitong.

No exterior, a semana será de agenda cheia de indicadores de atividade e investidores acompanham o “desenrolar” das tratativas comerciais entre Estados Unidos e China. “Ainda que faltem claras definições quanto à última rodada de negociação entre os países, a percepção de que aumentou a compreensão quanto a complexidade da questão e, ao mesmo tempo, o compromisso dos países em continuar conversando, deixa o mercado animado”, reforçam os analistas do Bradesco.

Deixar um comentário