Bolsa cai e dólar sobe em dia de fortalecimento da guerra comercial entre EUA e China

Por Eduardo Puccioni

São Paulo – A guerra comercial entre Estados Unidos e China trouxe um fator negativos para as bolsas globais que pode permanecer por um período maior, mesmo a queda de hoje trazendo oportunidades para compra. Hoje o índice encerrou com queda de 2,68% aos 91.726,54 pontos. O volume financeiro do mercado foi de aproximadamente R$ 14,4 bilhões.

“Não vejo um pregão técnico amanhã. Ainda há espaço para cair mais”, disse Vicente Matheus Zuffo, diretor de investimentos da SRM Asset, mesmo acreditando que o impacto da guerra bilateral entre Estados Unidos e China possa ser mitigado pela abertura de uma lacuna para o Brasil fornecer produtos ao mercado chinês antes fornecidos pelo país norte-americano.

“Temos um impacto inicial após as medidas com as bolsas americanas caindo forte hoje. A retaliação no comércio bilateral entre Estados Unidos e China abre uma lacuna que pode ser preenchido pelo Brasil. A China compra muito produto agrícola dos Estados Unidos e, com essa retaliação, a China pode começar a comprar mais do Brasil”, afirmou o especialista.

André Perfeito, economista-chefe da Necton, afirmou que “o governo de Pequim havia mantido certa calma até agora com as investidas de Washington, mas o núncio de elevação de tarifas mostra que o governo chinês perdeu a paciência com a estratégia belicosa da outra superpotência” e que “devemos ver Trump [Donald, presidente dos Estados Unidos] na ofensiva mais uma vez e isto significa juros mais altos, dólar mais forte e queda nas Bolsas”,

explicou.

Hoje, citando a imposição de tarifas de 25% sobre bens chineses no valor de US$ 200 bilhões, a China anunciou que vai impor tarifas de até 25% sobre US$ 60 bilhões de bens dos Estados Unidos. Essa nova tarifa entrará em vigor em 1 de junho, disse o governo chinês disse em comunicado.

A China aumentará as tarifas para até 25% em produtos que atualmente tributa entre 5% e 10%, informou o Conselho de Estado. A medida vem depois que os Estados Unidos elevaram tarifas de 10% para 25% para US$ 200 bilhões em bens que saíram da China na última sexta-feira e depois disso.

Em contrapartida, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que nenhuma decisão foi tomada sobre a adoção de tarifas adicionais a cerca de US$ 300 bilhões em bens importados da China, e confirmou que ele vai se encontrar com o presidente chinês, Xi jinping, na reunião do G-20 (grupo que reúne economias mais industrializadas e países emergentes) no Japão, em junho.

Os investidores ainda devem demonstrar cautela na sessão de amanhã com a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China. Com isso, o dólar comercial iniciará a sessão sem um viés definido, aguardando novidades sobre o tema. Internamente, a reforma da Previdência não deverá apresentar grandes novidades, permanecendo o cenário externo como principal driver do mercado. O dólar encerrou o dia com alta de 0,86%, sendo negociado a R$ 3,9790 para venda.

“A questão externa estrará mais presente amanhã. Hoje o principal fator foi a guerra comercial e a oscilação vista no Brasil foi a mesma dos países emergentes. Fora isso, tem a reforma da Previdência que segue incerta com ruídos entre o Planalto e o Congresso, mas os investidores entendem que faz parte do mercado essas idas e vindas”, explicou Matheus Gallina, trader de renda fixa da Quantitas.

O especialista da Quantitas disse ainda que não acredita que o Banco Central (BC) venha a intervir no dólar apenas por uma questão de preço caso ele siga subindo. “O Banco Central estará de olho se a moeda descolar muito dos outros mercados ou se tiver uma falta de liquidez, aí podemos ter uma intervenção. Mas se for só por preço acho difícil acontecer”, afirmou Gallina.

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