Bolsa cai e dólar sobe com rumores de que governo discute flexibilizar teto de gastos

Por Danielle Fonseca e Flavya Pereira

São Paulo – O Ibovespa encerrou em queda de 1,41%, aos 95.998,75 pontos, voltando a acelerar perdas perto do fim do pregão depois de rumores de que o governo discute flexibilizar o teto de gastos após aprovação da reforma da Previdência. A agenda política também voltou a pesar negativamente após adiamento de votações e apreensão sobre o relatório da Previdência, o que fez o índice corrigir depois de altas recentes e descolar do cenário externo mais positivo. O volume total negociado foi de R$ 12,9 bilhões.

Para o sócio da Criteria Investimentos, Vitor Miziara, os rumores de mudanças do teto de gastos aceleraram a queda da Bolsa e a alta do dólar no fim do dia, sendo que “já faltavam motivos para que o índice subisse” hoje. Alguns analistas acreditam que não seria positivo discutir essa questão já agora, sendo que não se sabe o tamanho da economia que a reforma trará. O Ministério da Economia, porém, negou há pouco, por meio de nota, que irá encaminhar ao Congresso qualquer pedido de mudança na Lei do Teto de Gastos para excluir investimentos do limite das despesas.

Hoje também foi suspensa a reunião da Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização (CMO) para discutir o parecer ao projeto de crédito suplementar em que o Executivo pede autorização para quitar, por meio de operações de crédito, despesas correntes. Isso permitirá que o governo quebre a chamada regra de ouro. A discussão deve ser retomada na próxima terça-feira (11). A agenda política tem sido acompanhada de perto pelo mercado, que vê aprovações de medidas com bons sinais para o andamento da reforma.

Ainda surgiram rumores nesta tarde de que o relatório da reforma da Previdência na comissão especial possa ser apresentado apenas na segunda-feira que vem, apesar das expectativas de que pudesse sair nesta semana. No entanto, seguem expectativas de que possa ser votado e aprovado na comissão na próxima semana.

Outra votação que foi acompanhada por investidores foi a do Supremo Tribunal Federal (STF), que avalia a possibilidade de estatais venderem ativos sem autorização do Congresso, o que pode beneficiar a Petrobras. A sessão segue com o placar de dois a um a favor da autorização legislativa. Na ausência de uma definição sobre a questão, as ações da Petrobras (PETR3 -0,23%; PETR4 -1,22%) caíram, sentindo também as fortes perdas dos preços do petróleo hoje, que refletiram aumento dos estoques da commodity nos Estados Unidos.

Outras ações que mostraram forte correção foram as de bancos, como do Banco do Brasil (BBAS3 -2,70%). Já as maiores perdas do índice foram da Via Varejo (VVAR3 -4,32%) e do IRB Brasil (irbr3 -4,08%). Na contramão, os maiores ganhos foram da Azul (AZUL4 1,55%) e Klabin (KLBN11 1,45%).

Para o economista-chefe da Codepe Corretora, José Costa, o mercado deve continuar “muito focado” na Previdência, que continuará sendo o principal motivo para ser observado nos próximos dias. Na agenda de manhã, destaque para os dados de pedidos de seguro-desemprego dos Estados Unidos, às 9h30.

O dólar comercial fechou em alta de 0,98% no mercado à vista, cotado a R$ 3,8960 para venda, influenciado pelo movimento de correção após três pregões seguidos de queda. Na reta final dos negócios, a moeda estrangeira acelerou os ganhos, renovando máximas sucessivas a R$ 3,9040 (+1,19%) reagindo aos rumores de que o governo estaria discutindo a flexibilização do teto dos gastos públicos após a possível aprovação da reforma da Previdência.

“Se realmente tiver essa flexibilização, o país terá uma aceleração do endividamento público e estará na contramão das ações recentes do governo para melhorar a dinâmica desse endividamento, entre elas, a proposta da reforma da Previdência”, avalia o economista-chefe do banco Haitong, Flávio Serrano.

Porém, por meio de nota, o Ministério da Economia informou que não encaminhará ao Congresso qualquer pedido de mudança na Lei do Teto de Gastos para excluir investimentos do limite das despesas. “O Ministério reitera a importância do controle dos gastos públicos para que o país volte a ter equilíbrio nas contas públicas. Com saúde financeira, o Brasil poderá aumentar o investimento público e privado e crescer de forma consistente por vários anos seguidos”, informou.

O dólar sustentou alta ao longo do pregão em movimento de correção técnica, o que “amparou” a valorização da moeda estrangeira após perdas recentes nos mercados globais, destaca o diretor de uma corretora nacional.  

“No exterior, nem mesmo a decepção com a drástica queda do número de postos de trabalho criados pelo setor privado em maio [ADP], foi capaz de impedir o avanço da moeda” comenta o diretor. O indicador apontou a criação de 27 mil postos de trabalho, enquanto o esperado pelo mercado era de 173 mil postos. O dado é uma prévia do relatório de empregos dos Estados Unidos, o payroll, em que os dados serão divulgados na sexta-feira.

Amanhã, com a agenda de indicadores mais fraca, os analistas sugerem que investidores deverão continuar acompanhando a política local e os desdobramentos em torno da tramitação da reforma da Previdência, além do cenário externo.

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