Bolsa cai e dólar sobe com mercado aguardando novidades sobre Previdência

Por Danielle Fonseca e FLavya Pereira

São Paulo – O Ibovespa encerrou em queda pelo terceiro pregão seguido, com queda de 1,24%, aos 94.754,70 pontos, refletindo declarações do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, sobre possíveis atrasos na reforma da Previdência, o que se somou a rumores de que o chamado “centrão” não quer votar a projeto na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) na semana que vem, como o previsto. O volume total negociado foi de R$ 12,5 bilhões.

Maia disse em evento em Nova York que o governo ainda precisa organizar melhor o diálogo com o Parlamento e que a reforma atrasou um pouco e “atrasará um pouco mais que necessário”, mas ainda vai tomar rumo. Mais cedo, temores de que o “centrão” possa se unir à oposição e obstruir sessões da CCJC para atrasar a votação do projeto já faziam o Ibovespa cair.

“Desde que se fala sobre reforma, ficamos meio descolados do exterior, na expectativa. O Brasil parou de novo, todo mundo parou: investidor, empresário, contratação. E se demorar, pode piorar a condição do desemprego. E essa perspectiva negativa afeta a bolsa”, disse o analista da Mirae Asset Corretora, Pedro Galdi, que ainda afirma que não há notícias positivas no exterior hoje, com preocupações com a desaceleração da economia global.

O analista da Necton, Alvaro Frasson, ainda lembra que na semana que vem, que já é mais curta em função da sexta-feira Santa, haverá vencimento de opções sobre ações (segunda-feira) e vencimento de opções sobre Ibovespa (quarta-feira), o que pode já estar mexendo com o índice. “Pode ser uma certa antecipação de posições, que podem ocorrer um ou dois pregões antes do vencimento”, disse, acrescentando o que isso pode mexer com o mercado novamente amanhã.

O dólar comercial fechou em alta de 0,83% no mercado à vista, cotado a R$ 3,8570 para venda, em dia mais negativo para as moedas de países emergentes, em movimento de correção após a divisa estrangeira perder terreno frente a essas moedas nos últimos dias, além da corrida do mercado por ativos mais seguros.

No mercado local, a moeda reagiu às declarações do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), com críticas ao presidente Jair Bolsonaro na condução política da reforma da Previdência e de que a matéria “vai demorar mais que o necessário”, disse o parlamentar em evento para investidores em Nova York.

Para o analista de câmbio da Correparti, Ricardo Gomes Filho, a Previdência “deu força ao dólar” desde a abertura dos negócios após a “ameaça de partidos do Centrão” de obstruir a votação do parecer favorável à admissibilidade da proposta na CCJC da Câmara dos Deputados.

“Como amplamente esperado, a oposição e partidos insatisfeitos com a gestão de [Jair] Bolsonaro seguem apresentando resistência ao texto. Muita negociação ainda deverá ocorrer, sendo a grande preocupação de investidores o grau de desidratação que o texto poderá sofrer”, acrescenta o operador da H.Commcor, Cleber Alessie.

Lá fora, as preocupações com a desaceleração da economia global somada a queda do preço dos contratos futuros de petróleo impactaram negativamente o desempenho das moedas de países emergentes. O WTI caiu ao redor de 1,4%, abaixo dos US$ 64 o barril, enquanto o Brent recuou mais de 1%, perto de US$ 71 o barril.

Amanhã, com a agenda de indicadores mais fraca, os analistas reforçam que “qualquer” notícia sobre a reforma da Previdência poderá fazer preço nos ativos. “Tudo referente ao assunto mexe, positivamente ou negativamente”, comenta um operador de mesa. A sessão pode ser marcada por correções técnicas e cautela na véspera do fim de semana e da próxima, com expectativa para avanços da reforma da Previdência e o feriado de Semana Santa.

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