Bolsa cai e dólar sobe com investidores aguardando por anúncio de liberação do FGTS

Por Danielle Fonseca e Flavya Pereira

São Paulo – O Ibovespa fechou em queda de 0,23%, aos 103.704,28 pontos, refletindo as perdas das ações da Vale e uma maior cautela de investidores em meio a dúvidas sobre medidas que devem ser anunciadas pelo governo, como a liberação de saques do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e mudanças no setor de gás. Com isso, o índice descolou da alta dos principais mercados acionários no exterior, onde expectativas de volta das negociações presenciais entre China e Estados Unidos prevaleceram. O volume total negociado foi de R$ 15,3 bilhões.

Para o economista-chefe do banco digital Modalmais, Alvaro Bandeira, investidores ficaram “com o pé atrás” em relação à cena local hoje, vendo mais indefinições. Um dos motivos é o efeito “mais limitado” que a medida de liberação de saques do FGTS pode ter na economia se forem restritos a R$ 500,00 conforme apontado por jornais hoje. Anteriormente, era esperado que a medida, que deve ter suas regras anunciadas amanhã, pudesse liberar mais recursos na economia.

“A questão da liberação do FGTS deu uma desanimada na possível alta do PIB que poderia ocorrer, mas não temos muitas notícias relevantes e o que pode dar o tom são os resultados trimestrais de empresas daqui para frente”, disse ainda analista da Necton Corretora, Gabriel Machado.

Com o recesso parlamentar, as reformas da Previdência e a tributária ficam em espera, e as atenções dos investidores se voltaram para outras medidas que podem ser tomadas pelo governo enquanto isso. Além da liberação de saques do FGTS, são esperadas mudanças no setor de gás, que possam reduzir preços, conforme prometido pelo ministro da Economia, Paulo Guedes.

O economista do Modalmais ainda destaca que os investidores estrangeiros também não voltaram para o mercado brasileiro mesmo com os avanços já vistos no andamento da reforma da Previdência. Pelo contrário, eles ainda estariam retirando recursos, o que impede o Ibovespa de engatar altas.

Entre as ações, as da Vale (VALE3 -1,23%) e de siderúrgicas também pesam negativamente sobre o índice ao refletirem as perdas dos preços do minério de ferro. Já entre maiores quedas do Ibovespa ficaram as ações da Cielo (CIEL -3,57%), da Ecorodovias (ECOR3 -2,10%) e da Qualicorp (QUAL3 -2,68%).

Na contramão, entre as maiores altas, ficaram as ações da BR Distribuidora (BRDT3 2%), da Yduqs, antiga Estácio, (YDUQS3 4,06%) e da Ultrapar (UGPA3 2,58%), que teve a sua recomendação elevada pelo Bradesco BBI.

Amanhã, investidores devem continuar atentos a possíveis medidas do governo, enquanto esperam pela reunião do Banco Central Europeu (BCE) na quinta-feira e monitoram a temporada de balanços.

O dólar comercial fechou em alta de 0,93% no mercado à vista, negociado a R$ 3,7740 para venda, em sessão de correção no exterior, onde a moeda estrangeira ganhou terreno e com investidores atentos aos passos de Banco Centrais que podem iniciar um ciclo de afrouxamento monetário.

“O dólar ganhou força lá fora frente a diversas moedas com a expectativa de uma retomada das conversas entre os Estados Unidos e a China para a guerra comercial. Além disso, tem a esperança do corte de juros pelo BCE [Banco Central Europeu] que ajuda a fortalecer o dólar. Por fim, surgiram notícias de uma saída de fluxo de dólar hoje no Brasil”, avalia o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa.

O analista de câmbio da Correparti, Guilherme Esquelbek, reforça que um fluxo cambial negativo no mercado interno de uma grande petrolífera em torno de US$ 1,0 bilhão corroborou para o dólar renovar máximas sucessivas ao longo da sessão, chegando a R$ 3,7770 (+1,01%).

Amanhã, com a agenda sem indicadores fortes para fazer preço, o dólar poderá passar por correção após a forte alta de hoje. No exterior, segue a expectativa dos mercados com as decisões de política monetária do BCE na quinta-feira, com expectativa de sinalização de estímulos no curto prazo, dos Estados Unidos (Federal Reserve, o banco central norte-americano), na semana que vem.

Para a equipe econômica do Fator, o cenário externo está mais favorável para as economias emergentes, na expectativa de bancos centrais (BCs) de países desenvolvidos anunciaram que vão relaxar a política monetária. “Movimento para o qual vários BCs de países emergentes já se prepararam”, comenta. Os analistas do banco acrescentam que aguardam uma justificativa do Banco Central brasileiro de corte de 0,25 ponto percentual (pp) na taxa básica de juros (Selic) pelos argumentos de inflação controlada, impacto desinflacionário da atividade, avanço na agenda de reformas (da Previdência) e cenário externo mais favorável.

WP Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com