Bolsa cai e dólar sobe aguardando reforma da Previdência

São Paulo – O Ibovespa fechou em queda de 1,10%, aos 96.291,79 pontos, com incertezas em torno da reforma da Previdência e investidores de olho na sessão da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC), onde será lido o parecer da reforma. A expectativa sobre novidades em torno da cessão onerosa da Petrobras e o cenário externo mais negativo, também ajudaram a manter o índice em queda. O volume total negociado foi de R$ 12,8 bilhões.

“Acredito que as incertezas sobre a reforma pesaram mais, voltamos a ter alguma troca de farpas entre Maia [Rodrigo, presidente da Câmara dos Deputados] e Guedes [Paulo, ministro da Economia] e depois do rito da leitura do parecer na CCJC ainda teremos mais sessões”, disse o especialista em ações da Levante Investimentos, Eduardo Guimarães.

Ainda há um pouco de apreensão em relação à articulação em relação à reforma, principalmente depois que Maia disse não fará a articulação da proposta, embora a defenda, e que Guedes sinalizou que não ter o temperamento para isso. Segundo Guimarães, o deputado e o ministro também deram declarações diferentes sobre a cessão onerosa, sobre a qual o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) pode trazer novidades ainda hoje.

Também segue ocorrendo a sessão da CCJC na qual ainda deve se lido o parecer do relator, para que depois possa ser votada a admissibilidade da proposta. Um pouco antes da cessão, o Ibovespa chegou a acelerar perdas com maior cautela, embora não tenham ocorrido novidades por enquanto.

Já na cena externa, as bolsas norte-americanas fecharam em baixa, assim como os índices europeus. O Escritório de Representação Comercial dos Estados Unidos propôs a introdução de tarifas adicionais à importação de US$ 11 bilhões em produtos da União Europeia, em resposta aos efeitos adversos na economia norte-americana dos subsídios oferecidos pelo bloco europeu à fabricante de aeronaves Airbus. Além disso, o Fundo Monetário Internacional (FMI) mostrou piora das projeções para o crescimento da economia mundial.

Amanhã, o especialista da Levante destaca que o mercado irá aguardar a ata da última reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), que será publicada às 15h, principalmente depois que dados do mercado de trabalho norte-americano vieram mais fortes do que o esperado.

O dólar comercial fechou em alta de 0,15% frente ao real, cotado a R$ 3,8550 para venda, depois de operar valorizado em quase toda sessão seguindo uma piora no exterior no fim da manhã, que contaminou o mercado acionário, e com investidores locais atentos à leitura do parecer da proposta da reforma da Previdência na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJC) na Câmara dos Deputados. Apesar de iniciada a sessão, o relator da proposta, Marcelo Freitas (PSL-MG), ainda não leu o texto.

“Foi uma sessão bem lateral, com o dólar trabalhando com pouca energia, e a piora no exterior corroborou para essa pressão altista”, comenta o operador de câmbio de uma corretora nacional. Lá fora, o dia foi mais negativo para o mercado acionário e para as commodities, como o petróleo. O preço do contrato futuro de petróleo WTI fechou em queda ao redor de 0,50%, no nível de US$ 64 o barril.

Ainda sobre a Previdência, o diretor da Correparti, Ricardo Gomes, pondera que o ambiente de incertezas em torno da reforma tem favorecido a aversão ao risco. “Os investidores estão vendendo ações e se refugiando em ativos que representam segurança. O vai e vem na postura de Rodrigo Maia [presidente da Câmara] torna o ambiente político mais inseguro”, comenta. Maia declarou que “não tem mais condições de ser articulador político da Previdência”. A fala corroborou para a alta do dólar, que renovou máximas a R$ 3,8650 (+0,41%) no fim da manhã.

Amanhã, pouco após a abertura dos negócios, será divulgado os dados de março do índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla inglês) dos Estados Unidos. “Os números podem mexer no dólar, já que o mercado espera uma ligeira aceleração no ritmo de alta na comparação anual. Se vier diferente do esperado, deve impactar sim o câmbio”, diz a economista da CM, Camila Abdelmalack.

À tarde, sai a ata da última reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), em março, em que o mercado não espera surpresas. “Não deve trazer novidades em relação ao comunicado que deixou claro que a taxa de juros por lá deve se manter neste ano, sem pistas de altas”, reforça Camila.

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