Bolsa cai e dólar sobe com incertezas políticas e derrota do governo na Câmara

Por Eduardo Puccioni e Flavya Pereira

São Paulo – O Ibovespa deve seguir sem viés definido para sessão de amanhã, após encerrar o pregão de hoje com queda de 0,50% aos 91.623,44 pontos. Hoje o dia iniciou influenciado pela guerra comercial entre Estados Unidos e China, mas logo depois o presidente norte-americana, Donald Trump, aliviou a questão da guerra bilateral, com isso, os mercados externos viraram e passaram a subir, mas o Ibovespa seguiu em queda de olho na derrota do governo na Câmara dos Deputados.

“Na minha visão seguiremos para amanhã sem um viés definido aguardando o que vai acontecer entre hoje e amanhã, com divulgação de dados econômicos. É preciso ver qual será a influência da guerra comercial na sessão de amanhã”, explicou Pedro Galdi, analista de investimentos da Mirae Asset Corretora.

Sobre as declarações de Trump, notícias afirmaram que o presidente norte-americano irá discutir adiar por seis meses a imposição de tarifas sobre carros importados. “Isso fez o mercado perder um pouco da força na queda, melhorou o Ibovespa aqui, mas não teve força para fazer o índice subir”, afirmou.

O plenário da Câmara dos Deputados convocou o ministro da Educação, Abraham Weintraub, para falar hoje sobre o congelamento nos gastos da pasta – reflexo de um contingenciamento anunciado em março pelo governo federal. A convocação é vista como mais um sinal de falta de articulação do governo na Câmara, visto que até então o Planalto vinha se esforçando para transformar eventuais convocações, que obrigam o ministro a comparecer, em convites, que permitem maior controle sobre quando as autoridades devem se apresentar aos deputados.

O dólar comercial fechou em alta de 0,52% no mercado à vista, negociado a R$ 3,9980 para venda, no maior patamar desde 1 de outubro do ano passado, antes das eleições no primeiro turno (R$ 4,0190). Ao longo da tarde, o dólar chegou a renovar mínimas e ensaiar queda após romper o nível de R$ 4,02 (R$ 4,0230; +1,15%).

“Com um início de sessão de grande aversão ao risco, o dólar rapidamente rompeu a barreira psicológica dos R$ 4,00. Porém, não parou por aí, chegando já na primeira parte do dia aos R$ 4,02, marcando a máxima da sessão”, comenta o analista de câmbio da Correparti, Ricardo Gomes Filho.  

O analista ressalta que uma melhora no ambiente externo fez o dólar a ensaiar queda após a sinalização de um possível adiamento para seis meses da imposição de tarifas dos Estados Unidos sobre automóveis fabricados no exterior. “Trouxe forte onda de recuperação ao real, mas o movimento acabou sendo limitado com as recorrentes incertezas domésticas, principalmente no que tange a reforma da Previdência”, comenta.

Amanhã, com a agenda de indicadores mais fraca, os investidores devem ficar atentos ao noticiário externo, acompanhando os desdobramentos da disputa comercial entre os Estados Unidos e a China, além do noticiário político local que está “recheado” de incertezas, comenta o analista de uma corretora nacional.

“A lua de mel de investidores com o governo de Jair Bolsonaro segue cada vez mais frustrante. A realidade está nos mostrando uma preocupante falta de articulação de um governo novo, o qual conta com bons nomes na área econômica, mas que não conversa bem com o Congresso”, avalia o operador da H.Commcor, Cleber Alessie.

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