Bolsa cai e dólar sobe após aprovação da reforma da Previdência na CCJC

Por Eduardo Puccioni e Flavya Pereira

São Paulo – O Ibovespa passou por um dia de realização de lucros após a alta de ontem e acabou encerrando a sessão de hoje com queda de 0,91% aos 95.045,43 pontos. O volume financeiro do mercado foi de aproximadamente R$ 15,3 bilhões.

“Depois da aprovação ontem na CCJC [Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania], que aconteceu e a Bolsa já estava fechada e ontem subiu bem, hoje o mercado acordou de mau humor. Foi o sobe no boato e cai no fato”, explicou Felipe Bevilacqua, gestor da Levante Investimentos.

Ontem a CCJC da Câmara dos Deputados aprovou, por 48 votos a 18, a admissibilidade da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 6/2019, que contém a reforma da Previdência proposta pelo governo do presidente Jair Bolsonaro. “Acreditamos que a aprovação fique para outubro e que o valor a ser economizado fique entre R$ 600,0 bilhões e R$ 800,0 bilhões”, disse.

O especialista citou ainda a temporada de balanços como um possível fator que agrega peso no mercado, já que ontem saiu o resultado financeiro da Cielo no primeiro trimestre de 2019 e as ações ordinárias da companhia (CIEL3) recuaram mais de 4% hoje. “A Cielo está num mercado muito competitivo e o resultado veio muito apertado”, afirmou Bevilacqua.

O lucro líquido da Cielo no primeiro trimestre deste ano somou R$ 589,3 milhões, queda de 43,6% frente a igual intervalo do ano passado, quando reportou R$ 1,045 bilhão. A receita operacional líquida no período caiu 0,4%, totalizando R$ 2,773 bilhões frente ao R$ 2,784 bilhões no ano anterior.

Para amanhã, Bevilacqua acredita que o Ibovespa possa voltar a subir, mas deixou claro que para isso acontecer, nada de relevante pode acontecer. “Ibovespa tem espaço para volta a subir amanhã”, finalizou o especialista da Levante Investimentos.

O dólar comercial fechou em forte alta de 1,63% no mercado à vista, cotado a R$ 3,9870 para venda, no maior valor desde 1 de outubro do ano passado – quando fechou em R$ 4,0190 -influenciado pelo mercado externo onde a moeda estrangeira operou com ganhos expressivos em relação às moedas pares e de países emergentes. Ao longo do dia, com volume de negócios levemente acima da média, o dólar renovou máximas sucessivas encostando no nível de R$ 4,00 (R$ 3,9950; +1,63%). 

A aprovação do parecer de admissibilidade da reforma da Previdência ontem na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) na Câmara dos Deputados, parecia trazer “alívio” aos ativos domésticos, porém, foi anulado pelo ímpeto de alta do dólar no exterior.

“A percepção por parte do mercado é de que o governo só venceu uma batalha na CCJC, mas que a guerra da Previdência ainda tem um caminho árduo e longo a ser percorrido, o que colocou mais pressão sobre o dólar no mercado local”, avalia o diretor de câmbio da Correparti, Jefferson Rugik.

Quanto ao exterior, o analista da Toro Investimentos, Vinícius Andrade diz que “não houve um driver específico” para a forte apreciação da moeda estrangeira. “Pelo contrário. A notícia de que os Estados Unidos e a China terão mais uma rodada de negócios em torno da guerra comercial na semana que vem deveria ter trazido alívio”, diz.

Amanhã, com a agenda de indicadores mais fraca, a tendência é de correção dos ativos. “Sem indicadores de peso, os ativos tendem a se corrigir desta alta tão forte. Aqui, o foco fica na Previdência e nas notícias do exterior. A ver se sai alguma coisa amanhã, além dos balanços corporativos. A reforma tende a roubar a cena da temporada de balanços por aqui”, diz.