Bolsa cai e dólar fecha perto da estabilidade com espera pela reunião do Fed

Por Danielle Fonseca e Eduardo Puccioni

São Paulo – O Ibovespa encerrou em queda pelo segundo pregão seguido, com perdas de 0,42%, aos 97.623,25 pontos, passando a operar em baixa na reta final do pregão em meio a ruídos sobre a reforma da Previdência e cautela à espera das decisões do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) e do Comitê de Política Monetária (Copom). A queda das ações da Vale, que refletiu os preços do minério de ferro, também pesaram sobre o índice, em dia de vencimento de opções sobre ações.

O volume total negociado foi de R$ 21,1 bilhões, sendo que o exercício de opções movimentou R$ 6,89 bilhões.

Segundo o diretor da Correparti Corretora, Ricardo Silva, “interpretações equivocadas” sobre comentários do ministro da Casa Civil, Onyz Lorezoni, sobre a reforma da Previdência criaram ruídos e ajudaram os mercados a mostrarem uma piora, com destaque para o câmbio, com o dólar chegando subir durante à tarde.

O ministro afirmou que o governo vai tentar reincorporar à reforma da Previdência a ser votada na Câmara dos Deputados um dispositivo que preveja a introdução de um regime previdenciário de capitalização, mas se isso não for possível pode ser apresentada uma nova proposta para a capitalização da Previdência ainda este ano.

A cena política já vinha sendo monitorada após a demissão do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Joaquim Levy, em mais uma baixa do governo de Jair Bolsonaro. O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) afirmou hoje que a demissão de Levy da presidência do BNDES foi uma “covardia sem precedentes” do ministro da Economia, Paulo Guedes, que o indicou ao cargo. No entanto, Maia reiterou que pode “blindar” a reforma das crises criadas pelo Planalto, o que mantém a confiança do mercado na sua aprovação.

Para o analista político da Levante Investimentos, Felipe Berenguer, a demissão de Levy também pode ter feito negativo neutralizado ainda no curto prazo, “desde que o governo mantenha as diretrizes para o banco e traga um nome de peso para substituir o economista”.

Já no cenário externo, o dia foi de alguma cautela à espera da decisão do Fed na próxima quarta-feira, com o mercado esperando sinalizações de corte de juros. Lembrando ainda que a decisão do Copom será no mesmo dia.

Entre as ações, as da Vale (VALE3 -2,33%) ficaram entre as que mais pesam para a virada do Ibovespa no fim do pregão, refletindo as fortes baixas dos preços do minério de ferro, que caiu 2,3% na Bolsa de Dalian. Também acompanham o minério os papéis da CSN (CSNA3 -2,38%). As ações da Eletrobras (ELET6 -2,77%) e da Kroton (KROT3 -2,77%) também aceleram perdas no fim do dia e ficaram entre as maiores desvalorizações do Ibovespa.

Na contramão, as maiores altas do índice foram do IRB Brasil (IRBR3 2,99%), MRV (MRVE3 3,31%), Azul (AZUL4 2,26%) e da Gol (GOLL4 2,24%).

Amanhã, o mercado deve continuar monitorando a cena política à espera de quarta-feira. Para o economista da Toro Investimentos, Pedro Nieman, a terça-feira pode ser mais um dia de “compasso de espera” pelo Fed e pelo Copom.

O dólar comercial acabou encerrando o dia em perto da estabilidade, com ligeira alta de 0,02% a R$ 3,9010 para venda. Ao longo da sessão, a moeda norte-americana chegou a cair pela manhã, mas passou a subir de tarde. Essa volatilidade é normal na semana em que os investidores aguardam pela decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), nas próxima quarta-feira.

“Hoje tivemos uma movimentação atípica de tarde, quando o dólar subiu. Mas o mercado segue de olho na decisão sobre a taxa de juros dos Estados Unidos na reunião do Fed. Outro fator importante e que pode mexer com o dólar é a retomada da comissão especial que trata a reforma da Previdência”, explicou Silvio Campos, economista da Tendências Consultoria.

Campos diz ainda que a demissão de Joaquim Levy da presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) não trouxe viés para o mercado, mas que os investidores seguirão atentos ao risco político depois as críticas feitas na semana passada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre a proposta da Previdência apresentada na Câmara dos Deputados.

A demissão de Levy, neste fim de semana foi uma “covardia sem precedentes” da parte do ministro de Guedes, que foi quem o colocou no cargo, disse o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ). “Quem tem que segurar firme é quem nomeou”, disse ele sobre o caso. O ex-ministro da Fazenda Joaquim Levy pediu demissão da presidência do BNDES após ser criticado em público pelo presidente Jair Bolsonaro no sábado.

“Solicitei ao ministro da Economia Paulo Guedes meu desligamento do BNDES. Minha expectativa é que ele aceda. Agradeço ao ministro o convite para servir ao País e desejo sucesso nas reformas”, disse Levy, em nota. “Agradeço também, por oportuno, a lealdade, dedicação e determinação da minha diretoria. E, especialmente, agradeço aos inúmeros funcionários do BNDES”, acrescentou.

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