Bolsa cai e dólar sobe em dia de ressaca por Fed, após o feriado

São Paulo – O índice Ibovespa fechou em queda de 0,85%, aos 95.527,62 pontos, influenciado pelo mercado externo que repercutiu as sinalizações do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) de que não cortará a taxa de juros nos Estados Unidos no curto prazo, como apostou o mercado.

O analista da Toro Investimentos, Thiago Tavares, destaca que o discurso do presidente do Fed, Jerome Powell, acabou “ignorando” o pedido do presidente norte-americano, Donald Trump, de baixar a taxa de juros a fim de estimular “ainda mais” a economia do país. “Pelo contrário, Powell reforçou a estabilidade dos juros e uma possível pressão inflacionária por lá nos próximos”, comenta.

Tavares destaca que a leitura, porém, é de que o Fed aumentará a taxa de juros neste ano, reduzindo a liquidez mundial e impactando diretamente os mercados emergentes. Ainda no exterior, a queda do preço dos contratos de petróleo WTI, em mais de 3% com o preço do barril cotado abaixo de US$ 62,00, impactaram os papéis da Petrobras (PETR3; -1,33% e PETR4; -1,40%, contribuindo para a queda do índice.

O analista destaca a queda das ações da Vale (VALE3; -2,31%) após o Ministério Público de Minas Gerais (MP-MG) ter ajuizado uma ação pública contra a companhia cobrando a reparação integral de todos os danos socioeconômicos provocados na tragédia de Brumadinho. O MP pede que a Vale apresente garantias financeiras de R$ 50 bilhões. “É um montante muito significativo que acabou impactando os papéis da mineradora”, diz Tavares.

Na contramão, as ações da Suzano (SUZB3; +2,87%) exibiram o melhor desempenho acompanhando a valorização do dólar que fechou em alta de 0,94%, cotado a R$ 3,9610 para venda no mercado à vista, depois de renovar máximas a R$ 3,9720 (+1,22%) também reagindo ao discurso do Fed.

Ainda no cenário local, o diretor da Correparti, Jefferson Rugik, destaca que as declarações do deputado federal, Paulinho da Força (SD-SP), afirmando que os partidos do chamado “Centrão” discutem uma reforma da Previdência mais desidratada, que não garanta a reeleição do presidente Jair Bolsonaro, causou “algum desconforto” no mercado, pressionando a queda do índice. Tavares acrescenta que qualquer declaração em torno da Previdência “mexe” com o mercado.

Para amanhã, o mercado deve reagir aos números do balanço corporativo do banco Itaú (ITUB4; +0,73%) no primeiro trimestre do ano, previsto para ser divulgado hoje. “A depender do resultado, se acompanhar o Bradesco, por exemplo, pode ser um pregão positivo para o índice”, comenta. Porém, mais uma vez, o exterior pode ditar os rumos do mercado com os números do mercado de trabalho dos Estados Unidos, o payroll, no mês passado.

O dólar comercial, por sua vez, fechou em alta de 0,94% no mercado à vista, cotado a R$ 3,9610 para venda, influenciado pelo exterior, onde a moeda estrangeira ganhou terreno ante as divisas pares e de países emergentes com o mercado reagindo às sinalizações do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) de que não haverá queda na taxa de juros nos Estados Unidos no curto prazo contrariando as apostas dos investidores.

“O principal catalizador foram as declarações do presidente do Fed [Jerome Powell] ontem, dizendo que não existe outra ação prevista a não ser a pausa já adotada, o que acabou frustrando a expectativa do mercado em relação a um corte na taxa de juros”, comenta o diretor de uma corretora nacional.

Para a equipe econômica do Bradesco, a postura mais cautelosa na fala de Powell sugere que o banco central manterá a taxa de juros no patamar atual até que a inflação mostre sinais consistentes de que ultrapassará a meta, diante dos sinais de atividade mais forte.

Para a economista-chefe da Ourinvest, Fernanda Consorte, a alta observada hoje não está relacionada a uma “possível” antecipação de números “mais fortes” do payroll. “O dólar só deve sentir amanhã mesmo. Se for números mais fortes, com certeza teremos mais uma sessão de dólar valorizado. Do contrário, podemos esperar um espaço para ajustes. Até amanhã, o exterior que vai ditar os mercados com a semana mais morna na política local”, diz.

Amanhã, na agenda de indicadores, o destaque é o relatório de emprego dos Estados Unidos no mês passado, o payroll, além dos números de desemprego no país. A previsão é de abertura de 182,5 mil postos e taxa de desemprego de 3,8%, segundo pesquisa da Agência CMA.

Flavya Pereira

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