Bolsa cai com queda das ações da Vale e dólar sobe com fuga de estrangeiros

Por Eduardo Puccioni e Flavya Pereira

São Paulo – Após a forte queda de hoje puxado pelas ações da Vale, o Ibovespa seguirá amanhã para mais uma sessão sem viés definido, com investidores aguardando notícias diárias para tomar posição. Hoje, o Ibovespa encerrou com queda de 1,74% aos 90.024,47 pontos, com volume financeiro de aproximadamente R$ 17,8 bilhões.

“Amanhã vai ser mais um dia no escuro. Tem muito ativo com preço bom após as quedas recentes, então pode até dar uma subida, mas não podemos cravar uma alta após o que aconteceu hoje com a Vale, que vinha subindo e depois passou a cair puxando o Ibovespa para baixo. O cenário político interno está muito incerto”, explicou um analista de investimentos de um grande banco.

Alvaro Bandeira, economista-chefe do banco digital Modalmais, avalia que enquanto não sair um acordo bilateral entre os Estados Unidos e a China, trazendo melhor e otimismo ao mercado, os investidores deverão ficar de olho na questão política interna e com movimentos pontuais de ações. O especialista lembra que existem ativos baratos no Brasil, mas que a bolsa pode cair ainda.

Hoje, o Ministério Público de Minas Gerais (MP/MG) disse que os taludes da Cava de Gongo Soco, em Barão de Cocais, podem se romper entre os dias 19 e 25 de maio. A estrutura é operada pela mineradora Vale, que já foi cientificada do risco.

Os taludes são estruturas de sustentação que ficam a aproximadamente 1,5 quilômetros (KMs) de distância da barragem Sul superior. A Barragem de Barão de Cocais está em alerta máximo de risco e os moradores foram das áreas que podem ser afetadas em caso de desmoronamento da estrutura foram retirados de suas casas desde março.

Com isso, as ações ordinárias da Vale (VALE3) encerraram com desvalorização de 3,23%. Na máxima do dia, a ação da Vale chegou a subir 2%.

O dólar comercial fechou em alta de 1,00% no mercado à vista, cotado a R$ 4,0380 para venda – no maior patamar do ano – reagindo às notícias da política local envolvendo a família do presidente Jair Bolsonaro, aumentando o ambiente de incertezas também após declarações de Bolsonaro nos Estados Unidos.

O diretor de câmbio da Correparti, Jefferson Rugik, destaca que o dólar passou a subir de forma “vigorosa” ao longo da sessão tendo como indutor o fortalecimento da moeda estrangeira. Mas o peso veio com a política local que pesou pela “sensação da total inabilidade por parte do governo Jair Bolsonaro em negociar com o Congresso, o que é extremamente negativo para a sequência do andamento da reforma da Previdência”, comenta Rugik.

Já o operador de câmbio da corretora Advanced, Alessandro Faganello, reforça o movimento técnico de “stop loss” (perda máxima aceitável) na reta final da sessão após as declarações de Bolsonaro durante homenagem recebida nos Estados Unidos. “Ele não tem sabedoria para as acalmar as coisas. Ele coloca mais fogo na fala dele. A postura dele de presidente precisa ser diferente”, diz.

Segundo os analistas, as declarações do presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, de que não deverá intervir no mercado cambial sem motivos específicos, parece levar investidores a testarem a nova gestão da instituição. “Campos Neto comentou que o dólar é flutuante. Esse viés de chamar o BC pode estar no preço sim”, diz o analista de investimentos de uma corretora nacional. 

Amanhã, com a agenda de indicadores esvaziada, as apostas são de mais estresse na moeda estrangeira, já que não “há motivos” para uma desvalorização no curto prazo, comenta o operador da Advanced. “A tendência é de mais altas nos próximos dias. Mas vamos acompanhar se tem algum tipo de realização também”, ressalta.