Bolsa cai com influência das ações do Itaú; dólar sobe na expectativa por Fed e Copom

Por Danielle Fonseca e Flavya Pereira

São Paulo – Após dois dias de leve alta, o Ibovespa fechou em queda de 0,53%, aos 102.932,76 pontos, puxado por uma queda de mais de 3% das ações do Itaú Unibanco e por um sentimento de maior cautela antes das reuniões do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) e do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central amanhã, que podem trazer reduções das taxas de juros. O volume total negociado foi de R$ 16,1 bilhões.

“Essa semana é cheia de dados e eventos, com destaque para o Fed e para o Copom, e mercado prescinde dessas informações para seguir uma tendência, por isso fica nessa espera. A queda de hoje está dentro da normalidade”, disse o sócio da RJI Gestão e Investimentos, Rafael Weber.

Investidores esperam ansiosamente pelo Fed e precificam uma queda de 0,25 ponto percentual (pp) dos juros, sendo que um resultado diferente ou mudanças de sinalizações dadas pela autoridade monetária podem trazer volatilidade para os mercados amanhã. Além da cautela pelo Fed, investidores também ficaram um pouco apreensivos com indicadores europeus fracos e a volta das negociações comerciais entre China e Estados Unidos, com o presidente norte-americano Donald Trump voltando a criticar a China.

Já no Brasil, há mais dúvidas sobre qual será o tamanho do corte da Selic amanhã, com a curva de juros avançando em sentido a uma queda de 0,50 pp, mas muitas casas ainda apostando em um corte de 0,25 pp. A expectativa de corte dos juros estimula ações dos setores de varejo e consumo, sendo que os papéis da CVC (CVCB3 5,15%), da Natura (NATU3 4,24%) e do Pão de Açúcar (PCAR34 3,86%) fecharam entre as maiores altas.

No entanto, as ações do Itaú Unibanco (ITUB4 -3,27%), que têm grande peso no Ibovespa, fecharam com fortes quedas, registrando a maior desvalorização do índice e o maior volume de negócios hoje. Apesar de o resultado trimestral do banco ter vindo dentro do esperado pelo mercado e terem sido anunciadas iniciativas como um programa de demissão voluntária, analistas avaliam que há uma perda de ímpeto de receitas com serviços diante da maior concorrência no setor, além de uma retomada lenta da oferta de crédito no País.

Esses fatores também afetam ações de outros bancos, como Santander (SANB11 -2,87%) e Bradesco (BBDC4 -2,07%). “O setor bancário pode continuar sofrendo alguma pressão. O crescimento de bancos digitais está sangrando um pouco os bancos tradicionais, eles já estão se movimentando, mas o mercado pode penalizar um pouco”, disse Weber.

Amanhã, todas as atenções estarão voltadas para a decisão do Fed, às 15h e para o presidente da autoridade monetária, Jerome Powell, que concede entrevista coletiva para falar sobre a decisão a partir das 15h30. Porém, alguns indicadores podem ser monitorados, como os de criação de emprego no setor privados, às 9h15. Já no Brasil, a decisão do Copom é as 18h, com o mercado já fechado, quando também devem ser divulgados mais balanços corporativos de peso, como o da Vale.

O dólar comercial fechou em alta de 0,18% no mercado à vista, negociado a R$ 3,7910 para venda, com investidores locais e no exterior cautelosos à espera da decisão de política monetária do Federal Reserve Fed, o banco central norte-americano), e do brasileiro amanhã. O mercado aposta em queda da taxa básica de juros aqui e lá.

O mercado aguarda decisão dos bancos centrais à espera de corte de 0,25 ou de 0,50 ponto percentual pelo Banco Central (BC) brasileiro e para o Fed. O que levou investidores a não “tomarem” posições em mais uma sessão, mantendo a oscilação do dólar entre R$ 3,77 e R$ 3,80.

Lá fora, onde prevaleceu movimentos laterais, mas com dólar em alta ante as principais moedas globais, as declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a China também influenciaram os mercados.

“Trump indicou dificuldades dos chineses para chegar a um acordo, além de ele querer pressionar o Fed a ser mais radical no corte de juros, bem na véspera da decisão da autoridade monetária”, comenta o operador de câmbio de uma corretora nacional.

Amanhã, a “super quarta”, o mercado deve abrir apreensivo à espera dos comunicados do Federal Reserve, às 15 horas (de Brasília), e às 18 horas, após o pregão, tem a decisão do Banco Central brasileiro. “O mercado deverá seguir no ritmo de alta à espera dos BCs. Após o comunicado do Fed, deve haver algum ajuste jogando o dólar para baixo”, comenta a economista-chefe do banco Ourinvest, Fernanda Consorte.

No último pregão do mês, tem a tradicional disputa entre comprados e vendidos para a formação de preço da taxa Ptax – média das cotações do dólar apuradas pelo BC – que pode ser “apagada” em dia de agenda carregada de indicadores nos Estados Unidos com o resultado da criação de emprego no setor privado em julho (ADP), uma prévia do payroll, que sairá na sexta-feira. Além dos índices dos gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) dos setores industrial e de serviços em julho, da China.

WP Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com