BCE está pronto para agir, se necessário, e deixa porta aberta para corte de juros

Mario Draghi
O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mário Draghi . Foto: Divulgação/ BCE

Por Cristiana Euclydes

São Paulo – A economia da zona do euro está sendo afetada por fatores negativos vindos do mercado externo, como a ameaça do protecionismo, e o Banco Central Europeu (BCE) está pronto para agir caso necessário, disse o presidente da instituição, Mario Draghi, deixando a porta aberta para um possível corte de juros na região.

“Olhando para o futuro, o Conselho do BCE está determinado a agir em caso de contingências adversas e também está preparado para ajustar todos os seus instrumentos, conforme apropriado, para assegurar que a inflação continua a avançar para a meta de inflação do Conselho do BCE de forma sustentada”, disse ele, em coletiva de imprensa após reunião de política monetária.

“Apesar dos dados um pouco melhores do que o esperado para o primeiro trimestre, as informações mais recentes indicam que os fatores contrários globais continuam a pesar sobre as perspectivas da zona do euro”, acrescentou. “A presença prolongada de incertezas, relacionada a fatores geopolíticos, a crescente ameaça do protecionismo e vulnerabilidades nos mercados emergentes, está deixando sua marca no sentimento econômico”.

Draghi repetiu os comentários desta semana do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell, de que o banco vai agir para apoiar a expansão da economia dos Estados Unidos, que enfrenta perspectivas de desaceleração devido à atual disputa comercial com a China.

Apesar dos riscos, afirmou Draghi, a economia da zona do euro continua resiliente a taxa de inflação segue aumentando gradualmente devido ao emprego forte e aos salários crescentes. As condições financeiras também permanecem favoráveis e apoiam a economia a evolução da taxa de inflação no médio prazo, acrescentou.

Draghi disse ainda que os benefícios das taxas de juros negativas para a convergência da inflação à meta não são prejudicados por possíveis efeitos colaterais na intermediação bancária. “Continuaremos a monitorar cuidadosamente o canal de transmissão baseado em bancos da política monetária e o caso de medidas de mitigação”.

ORIENTAÇÃO FUTURA

Na coletiva, Draghi sinalizou que a instituição pode cortar suas taxas de juros de referência. Ao ser questionado se era provável que o próximo passo do BCE seja uma alta nos juros, Draghi disse que não.

Ele afirmou que a decisão de política monetária de hoje foi unânime, mas alguns membros do Conselho consideraram prolongar o afrouxamento quantitativo. “Não discutimos qual contingência vai exigir que procedimento”, afirmou. Além disso, as políticas fiscais também devem ter um papel importante em lidar com as contingências.

Segundo Draghi, o alongamento da previsão de alta de juros se deve a incertezas relacionadas a disputas comercias. “As incertezas sobre comércio se estenderam além do previsto em março”, disse ele. “Dados sobre a economia da zona do euro não são ruins, mas há uma piora nas perspectivas”.

O BCE passou a esperar que suas taxas de juros de referência serão elevadas no primeiro semestre de 2020, ante previsão anterior de alta no final de 2019. Na reunião, os membros do Conselho discutiram se a mudança na orientação futura teria impactos sobre a lucratividade dos bancos, e eles concluíram que não, segundo Draghi.

Ele também defendeu que o BCE continue indicando quais serão os seus próximos passos. “As orientações futuras têm sido eficazes no ajuste de expectativas”, disse.

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