BCE deve apresentar detalhes da terceira rodada de TLTROs

Por Carolina Pulice

Sede do Banco Central Europeu, em Frankfurt (Divulgação/BCE)

São Paulo – O Banco Central Europeu (BCE) deve anunciar na quinta-feira a manutenção das taxas de juros em meio a um cenário de desaceleração no crescimento da economia mundial, e aproveitará para detalhar como funcionará a terceira rodada de empréstimos direcionados da instituição – a chamada TLTRO 3.

A TLTRO 3 na prática garante financiamento barato aos bancos que aumentarem o volume de empréstimos à economia. O programa já foi adotado em ocasiões anteriores pelo BCE como ferramenta de estímulo ao crescimento. Agora, porém, o programa deve ser mais restrito, com um efeito que, na prática, evitaria um aperto nas condições de financiamento na eurozona.

Na reunião de abril, o BCE manteve a taxa básica de juros em zero, a taxa de depósitos em -0,4% ao ano e a taxa da linha mantida com bancos comerciais para concessão de liquidez de curto prazo em 0,25% ao ano. O banco reiterou que as taxas de juros só devem ser elevadas no final de 2019.

No entanto, desde a última reunião, a situação econômica se agravou, e há sinais cada vez mais intensos de desaceleração econômica. O exemplo mais recente disso foi a leitura do índice dos gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) sobre a atividade industrial da zona do euro, que caiu para 47,7 pontos em maio, de 47,9 pontos em abril. Leituras acima de 50 pontos sugerem expansão da atividade, enquanto valores menores apontam contração.

“Dados recentes da indústria continuam mostrando queda nos pedidos, em grande parte devido à menor demanda externa. O acordo comercial entre Estados Unidos e China certamente não melhorou a perspectiva global. A última publicação do PMI mostrou que as empresas já estão reduzindo a contratação e os investimentos, o que pesa no crescimento de empregos”, disseram os analistas do Rabobank.

A fraqueza econômica é um fator preocupante para o BCE porque a autoridade monetária considera que a pressão inflacionária na zona do euro crescerá ao longo dos próximos meses com base nos ganhos salariais. A mudança de cenário pode ser refletida na revisão das projeções econômicas do banco central, que devem apontar um horizonte menos otimista.

“Não achamos que o desempenho do primeiro trimestre será mantido.

Pesquisas de negócios, que tendem a ser menos voláteis, se mantiveram em queda”, afirmou o economista chefe da Capital Economics, Andrew Kenningham.

É por isso que o detalhamento sobre a TLTRO será acompanhado de perto será por meio do programa que o BCE tentará coibir a desaceleração da economia.

Em março, o BCE apresentou parcialmente a proposta, dizendo que os empréstimos concedidos via o programa teriam um vencimento de dois anos e a taxa de juros seria indexada à taxa principal de refinanciamento ao longo da vida de cada operação. Semelhante às ofertas anteriores, o programa contém incentivos embutidos para manter as condições de crédito favoráveis.

“O encontro do BCE deve dar maiores detalhes sobre a TLTRO 3, que esperamos que seja menos generoso que a TLTRO 2. Com dados melhores do que esperados para o primeiro trimestre, o BCE pode revisar suas projeções um pouco, mas os riscos ainda apontam para uma queda”, afirmou o analista do Société Generale, Anatoli Annenkov.

A maior parte dos analistas consultados pela Agência CMA acredita que os detalhes do TLTRO 3 serão divulgados na quinta-feira, mas o analista do Nordea Jan von Gerich diverge sobre a data de anúncio. “Nossa base continua com a ideia de que a medida vai ser anunciada já no encontro de junho, mas dados mais mistos implicam que o BCE pode esperar até julho ou até mesmo setembro para a decisão final”, afirmou.

O NOVO PRESIDENTE

Embora os analistas consultados pela Agência CMA tenham divergido sobre o possível novo nome para a presidência da instituição, há a opinião comum de que um novo nome poderá começar a circular nas reuniões do BCE.

O nome mais cotado para assumir o lugar de Mario Draghi é o de Jens Weidmann, presidente do Deutsche Bundesbank. No entanto, analistas se dividem sobre se ele seria o melhor candidato à vaga.

“Apesar de estar incomumente quieto recentemente, a oposição de Weidmann às políticas mais bem-sucedidas do Banco Mundial desde a crise faz dele uma escolha arriscada e impopular”, prevê Kenningham.

Já para Annenkov, do Société Generale, Weidmann deve sim se tornar o presidente do BCE. “Mantemos nosso posicionamento de que há grandes chances de Weidmann se tornar presidente do banco”.

“Para além da nacionalidade, o próximo presidente do BCE vai precisar ser corajoso. Dada a posição de início muito desafiadora (medidas esgotadas e riscos para credibilidade e independência), isso significa que ele não vai poder seguir os passos de Draghi”, completou.

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