BC reduz projeções de inflação de 2019 a 2021

Por Gustavo Nicoletta

São Paulo – Os quatro cenários traçados pelo Banco Central (BC) para a inflação estimam que a taxa deve acumular alta anual de 3,6% no quarto trimestre deste ano, ficando abaixo da meta de 4,25% estabelecida para 2019. Na estimativa anterior, divulgada em março, o BC esperava uma inflação levemente maior, de 3,9% a 4,1%, a depender do cenário.

A previsão para a inflação nos próximos anos também diminuiu em relação ao que havia sido divulgado anteriormente pelo BC. Segundo o Relatório Trimestral de Inflação (RTI) de junho, a projeção para o final de 2020 caiu do intervalo de 3,8% a 4,0% para a faixa de 3,7% a 3,9%, enquanto para o final de 2021 a estimativa passou da faixa de 3,8% a 4,3% para 3,8% a 4,0%, a depender do cenário.

Nestes casos, a inflação permaneceria levemente abaixo da meta de 4,00% em 2020 e levemente acima da meta de 3,75% em 2021.

No cenário que prevê estabilidade tanto na taxa básica de juros, a Selic (taxa básica de juros) quanto na de câmbio – em 6,50% ao ano e em R$ 3,85 por dólar, respectivamente -, o BC prevê inflação anual de 3,6%, 3,7% e 3,9% nos últimos trimestres deste ano, de 2020 e de 2021. Na edição anterior do RTI, essas previsões eram de 4,1%, 4,0% e 4,1%.

Sob estas estimativas, a probabilidade de a inflação ultrapassar os limites do intervalo de tolerância da meta em 2019 situam-se ao redor de 1% e 17% para os limites superior e inferior, respectivamente. Para 2020, essas probabilidades situam-se ao redor de 10% e 20%. Para 2021, as probabilidades são de 17% para o limite superior e 12% para o limite inferior.

No segundo cenário, que usa os dados da pesquisa Focus para determinar qual será o nível da Selic e da taxa de câmbio, a previsão para a inflação é de 3,6% nos últimos três meses de 2019 e de 3,9% tanto para o quarto trimestre de 2020 quanto para o de 2021. Em março, essas projeções eram de 3,9%, 3,8% e 3,9%, respectivamente.

Considerando estas projeções, a probabilidade de a inflação desrespeitar os limites superior e inferior do intervalo de tolerância da meta em 2019 são 1% e 16%, respectivamente. As probabilidades referentes aos limites superior e inferior para os anos seguintes situam-se ao redor de 12% e 16% (2020) e de 17% e 12% (2021).

No terceiro cenário, que usa a Focus como parâmetro para a Selic mas prevê uma taxa de câmbio constante em R$ 3,85 por dólar, a previsão para a inflação em 2019 caiu de 4,1% para 3,6%, e a estimativa para 2020 aumentou de 3,8% para 3,9%. Para 2021, a previsão ficou estável em 3,8%.

“Em relação ao cenário que assume taxa Selic constante, as projeções são superiores para 2020 e inferiores para 2021, refletindo o fato mencionado anteriormente de a taxa Selic advinda da pesquisa Focus ser inferior à Selic constante durante determinado período e superior em período subsequente”, disse o BC no RTI.

No quarto cenário, que considera uma taxa Selic constante em 6,5% e usa a Focus para parametrizar a taxa de câmbio, a inflação estimada para 2019 caiu de 3,9% para 3,6%, enquanto a de 2020 recuou de 4,0% para 3,7%. A de 2021 diminuiu de 4,3% para 4,0%.

INFLAÇÃO NO CURTO PRAZO

O BC disse no RTI que a variação da inflação entre os meses de março e maio ficou levemente acima do previsto por causa de altas mais intensas do que as antecipadas para os preços dos combustíveis, aumentos nos custos de higiene pessoal e elevação nos preços de alimentos.

“No caso de alimentos, os expressivos aumentos de preços em março e abril foram parcialmente compensados em maio, explicando parte relevante da distribuição de surpresas entre os três meses”, disse o BC.

O Copom espera taxas de inflação mensal de 0,01%, 0,13% e 0,10% para o Indice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) nos meses de junho, julho e agosto, respectivamente.

“Caso se confirme, a alta de 0,24% no trimestre será bem inferior à variação de 1,50% observada no mesmo período de 2018, marcado pela paralisação no setor de transporte de cargas”, diz o RTI. Além disso, “a inflação acumulada em doze meses, como consequência, recuaria de 4,66% em maio para 3,36% em agosto.”

A desaceleração da inflação viria como reflexo de preços menores para os combustíveis – em decorrência da valorização do real e da cotação mais baixa para o petróleo no exterior, além do fim da entressafra da cana-de-açúcar – e nos preços de alimentos.

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