BC reduz previsão de crescimento do PIB 2019

Banco Central
Edifício-sede do Banco Central em Brasília. (Foto: Divulgação/BC)

São Paulo – O Banco Central (BC) reduziu a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2019 de 2,4% para 2,0%, citando como justificativa a expansão menor que a esperada da economia no último trimestre do ano passado, segundo o Relatório Trimestral de Inflação (RTI).

Também entraram na conta da revisão, segundo o BC, o corte de produção da indústria mineral em consequência dos desdobramentos do rompimento de uma barragem de rejeitos de mineração da Vale em Brumadinho (MG), as reduções em previsões para a safra e o ritmo mais moderado de recuperação da economia.

A instituição também mencionou que “a economia brasileira segue em processo de recuperação gradual” e “operando com elevado nível de ociosidade dos fatores de produção”, e removeu do relatório o trecho que afirmava que a retomada gradual da economia diminuiria o nível de ociosidade.

O BC reduziu a estimativa de crescimento da produção agropecuária em 2019 de 2,0% para 1,0% para refletir a expectativa de uma produção de soja menor, em função da estiagem em regiões produtoras.

A projeção para o desempenho da indústria caiu de 2,9% para 1,8%, principalmente por causa da revisão negativa na expectativa de crescimento da indústria de transformação – a previsão passou de 3,2% para 1,8%, “motivada pelo desempenho abaixo do esperado ao final de 2018 e pelos resultados de indicadores referentes à atividade fabril no início deste ano”, disse o BC.

A previsão de crescimento da indústria extrativa também foi reduzida, de 7,6% para 3,2%, por causa dos efeitos negativos sobre a produção de minério decorrentes do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho.

Para o setor de construção civil, o BC manteve a expectativa de expansão, em 0,6%, assim como para o segmento de produção e distribuição de eletricidade, gás e água (2,3%).

“Estima-se crescimento de 2,0% para o setor terciário em 2019. A redução da projeção ante a estimativa apresentada em dezembro (2,1%) reflete impactos em atividades que apresentam significativa correlação

com o comportamento da indústria de transformação”, disse o BC.

Além disso, diz o órgão, também caiu a projeção de crescimento dos serviços de intermediação financeira e serviços relacionados – de 2,6% para 2,0% -, principalmente pela frustração no resultado do quarto trimestre de 2018. “Em sentido oposto, a estimativa para atividades imobiliárias e aluguel passou de 2,0% para 2,9%, em linha com o crescimento observado ao longo de 2018”, acrescentou.

A previsão para o consumo das famílias caiu de 2,5% para 2,2% após sinais de arrefecimento na recuperação do mercado de trabalho no final do ano passado e no início deste ano. A estimativa para a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) recuou de 4,4% para 4,3%, enquanto a projeção para o consumo do governo permaneceu inalterada em 0,6%.

As exportações e as importações de bens e serviços em 2019 devem cresceu respectivamente, 3,9% e 5,6% em 2019. Em dezembro, a estimativa era de expansão de 5,7% e 6,1%.

“A redução na projeção para as exportações reflete diminuição em estimativas para a safra de grãos, possíveis impactos na exportação de minério de ferro decorrentes da tragédia de Brumadinho, revisões para baixo nas previsões para o crescimento mundial e incertezas quanto à recuperação da economia da Argentina”, disse o BC.

“A diminuição na estimativa para as importações decorre de redução nas projeções de crescimento da indústria de transformação e da FBCF, com consequente decréscimo nas aquisições de insumos e de máquinas e equipamentos, bem como da redução na projeção para o consumo das famílias.

Nesse cenário, as contribuições da demanda interna e do setor externo para a evolução do PIB em 2019 são estimadas em 2,2 pp e -0,2 pp, respectivamente”, acrescentou o BC.

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