BC reduz juros para 7% ao ano, mínima histórica

06/12/2017 19:44:04

Por: Gustavo Nicoletta e Priscilla Oliveira / Agência CMA

Comitê de Política Monetária (Copom). (Foto: Beto Nociti/BCB)

São Paulo – O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa básica de juros em 0,5 ponto percentual, para 7% ao ano, diminuindo o ritmo do ciclo de afrouxamento monetário iniciado em outubro de 2016, conforme o esperado, e renovando o patamar mais baixo da história recente para a Selic.

A decisão foi unânime, com os votos dos nove membros do comitê – o presidente Ilan Goldfajn e os diretores Mauricio Moura, Paulo Souza, Carlos Viana de Carvalho, Reinaldo Le Grazie, Tiago Couto Berriel, Otávio Ribeiro Damaso, Sidnei Corrêa Marques e Isaac Sidney Menezes Ferreira – a favor da redução da taxa.

Para o economista da Austing Rating, Alex Agostini, o patamar histórico de 7% só foi possível devido à baixa inflacionária ocorrida em 2017. “O principal ponto é a questão da perspectiva da inflação bem controlada, ficando esse ano ao redor de 3% e ano que vem ao redor de 4%. Nesse contexto é possível derrubar a taxa de juros sem preocupação”, afirmou o economista antes da decisão do BC.

Para Agostini, essa possibilidade de inflação baixa foi motivada por um cenário macroeconômico recessivo e que ainda deve ter uma recuperação bastante moderada, prolongando o cenário, mantendo-o sob controle e deixando 2018 tranquilo nesse quesito.

O economista afirmou ainda que o cenário de 7% de juros é muito significativo e tem efeitos positivos importantes para economia. “Do lado do consumidor estimula a volta do consumo de bens duráveis como imóveis e veículos; do lado das empresas há um custo de capital de giro menor e passa a ser possível programar investimentos a um custo menor e, do lado do governo, há um impacto direto sobre a dívida mobiliaria pública, que paga juros indexados à Selic, além de um aumento potencial na arrecadação com a volta do consumo”, observou.

Para o ano que vem, Agostini aposta em uma parada técnica no ciclo para que o BC possa avaliar o cenário. A taxa de 7% deve se manter até junho do ano que vem, quando o BC irá avaliar novamente o cenário e a possibilidade de reiniciar novamente o ciclo em ano eleitoral.

O economista e professor da Faculdade Insper, Fábio Astrauskas, concorda com Agostini em relação ao fim do ciclo mantendo a taxa Selic em 7% em 2018. “Se a inflação se manter em torno de 3,5% haveria espaço para mais um corte de até meio ponto em 2018, porém não acredito que o BC vá se arriscar.

Ainda que o BC tenha condições para baixar mais os juros há a expectativa de retomada do crescimento que traz consigo um repique inflacionário e o BC deve se garantir para que neste caso não precise retomar a elevação da Selic”, considerou.

DETALHES DO COMUNICADO

No comunicado com a decisão de política monetária, o Copom indicou que em fevereiro deve diminuir o ritmo de corte da taxa básica de juros, a Selic, mas ressaltou que esta previsão está mais sujeita a mudanças do que em ocasiões anteriores.

“O Comitê vê, neste momento, como adequada uma nova redução moderada na magnitude de flexibilização monetária. Essa visão para a próxima reunião é mais suscetível a mudanças na evolução do cenário e seus riscos que nas reuniões anteriores. Para frente, o Comitê entende que o atual estágio do ciclo recomenda cautela na condução da política monetária”, afirmou o grupo.

No comunicado com a decisão de política monetária, o grupo reduziu a previsão de inflação para este ano e o próximo a 2,9% e a 4,2%, respectivamente. Na reunião passada, ocorrida em outubro, o Copom havia estimado inflação de 3,3% em 2017 e de 4,3% para 2018. A estimativa para 2019 ficou intacta, em 4,2%.

A inflação pode ficar abaixo do esperado se os preços dos alimentos perderem força e se a queda da inflação nos últimos meses exercer um efeito de inércia sobre os preços, impedindo ajustes mais significativos. No entanto, a inflação pode ficar acima do previsto se houver “frustração” com as reformas econômicas e se o mercado externo ficar desfavorável.

A previsão para a trajetória dos juros também sofreu uma leve modificação. As autoridades esperam que a Selic fique em 7% no final deste ano e do próximo – mesma estimativa divulgada na reunião anterior -, e disseram que a taxa encerrará 2019 em 8%. Em outubro, a expectativa do Copom era de que a Selic ficaria em 8% “ao longo de 2019”.

“O Copom entende que a conjuntura econômica prescreve política monetária estimulativa, ou seja, com taxas de juros abaixo da taxa estrutural”, afirmou o grupo. “O processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira contribui para a queda da sua taxa de juros estrutural”, reiterou.

A avaliação do Copom sobre a economia permaneceu a mesma. Segundo o comitê, os indicadores seguem apontando para uma recuperação gradual na atividade e o setor externo continua favorecendo a retomada brasileira ao sustentar o apetite dos investidores por risco.

O comunicado também reiterou que a inflação está evoluindo “em boa medida” conforme o esperado, com um comportamento favorável inclusive entre os componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária.

Edição: Eliane Leite (e.leite@cma.com.br)

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