BC reduz de 2,0% para 0,8% previsão de alta do PIB em 2019

Banco Central
Edifício-sede do Banco Central em Brasília. (Foto: Divulgação/BC)

Por: Olívia Bulla

São Paulo – O Banco Central reduziu a previsão para o crescimento da economia brasileira em 2019 e prevê uma expansão de 0,8% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, segundo o Relatório Trimestral de Inflação (RTI) divulgado hoje. Na edição anterior do documento, referente ao trimestre encerrado em março, a estimativa da autoridade monetária era de alta de 2,0%.

Segundo o BC, a retração da atividade doméstica no primeiro trimestre de 2019, de -0,2%, conforme dados oficiais já divulgados, reduz “carregamento
estatístico para o ano corrente”. Além disso, a ausência de “sinais nítidos” de recuperação nos primeiros indicadores conhecidos sobre o segundo trimestre também fizeram com que a projeção para o PIB anual fosse revisada.

No Relatório de Inflação referente ao segundo trimestre deste ano, o BC observa que a economia brasileira segue operando com elevado nível de ociosidade dos fatores de produção, refletindo os baixos índices de utilização da capacidade da indústria, principalmente, o patamar elevado da taxa de desemprego.

A previsão do BC para o PIB de 2019 considera, sob a ótica da oferta, uma alta da agropecuária de 1,1% na edição divulgada hoje, oscilando de +1,0% no documento anterior. A estimativa ficou, portanto, praticamente estável e se contrasta com reduções nas previsões de crescimento para os demais setores de produção.

Para a indústria, por exemplo, a projeção para o desempenho do PIB neste ano despencou de +1,8% para +0,2%, refletindo recuos nas expectativas para todos os segmentos – exceto produção e distribuição de eletricidade, gás e água. Já para o setor de serviços (ou terciário), o BC estima um crescimento em 2019 de 1,0%, ante projeção de +2,0%.

Entre os componentes da demanda, a estimativa para o crescimento do consumo das famílias em 2019 foi revista de +2,2%, na projeção de março, para +1,4%, no documento mais recente, ficando, segundo o BC, “mais compatível com a expectativa de recuperação mais gradual da massa salarial”.

Para a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que se refere aos investimentos produtivos, a previsão de alta recuou de +4,3% para +2,9%, sob influência da piora dos indicadores de confiança dos empresários. Por fim, o consumo do governo deverá crescer 0,3%, ante projeção anterior de +0,6%, em meio à piora na arrecadação tributária.

Em relação ao setor externo, a autoridade monetária estima altas de 1,5% das exportações e de +3,8% nas importações em 2019, ante projeções anteriores de +3,9% e +5,6%. Segundo o BC, o recuo nas vendas ao exterior reflete reduções adicionais para o crescimento mundial, enquanto a diminuição das compras feitas no estrangeiro está relacionada ao desempenho da indústria e para o consumo das famílias.

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