BC britânico mantém juros em 0,5%, mas sugere aperto em breve

08/02/2018 12:02:58

Por: Cristiana Euclydes

O edifício do Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês). (Divulgação/Bank of England)

São Paulo – O Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) manteve a taxa básica de juros em 0,50% ao ano, em uma decisão unânime dos nove membros do Comitê de Política Monetária (MPC, na sigla em inglês). O banco, no entanto, deu sinais de que os juros podem subir em breve, ainda que qualquer alta deva ocorrer em ritmo gradual e de forma limitada.

O MPC decidiu também, de forma unânime, manter o estoque de títulos corporativos comprados pelo banco central em 10 bilhões de libras. A decisão também foi unânime de manter inalterado o estoque de títulos públicos adquiridos, que está em 435 bilhões de libras.

“Se a economia evoluir como o previsto no Relatório de Inflação de fevereiro, a política monetária precisará ser apertada um pouco antes e em um grau um pouco maior do que o previsto no Relatório de Inflação de novembro, a fim de devolver a inflação à meta de forma sustentável”, diz o comunicado do BoE. O Relatório de Inflação é um documento com projeções para a economia britânica publicado trimestralmente.

O banco destacou que a inflação desacelerou de 3,1% em novembro para 3% em dezembro, mas deve continuar neste nível no curto prazo, refletindo os preços altos do petróleo. A taxa tem se mantido acima da meta de 2% devido aos preços de importação mais altos, após a depreciação da libra esterlina no passado, disse o BoE.

Enquanto esses elementos externos se dissipam com o tempo, as pressões inflacionárias domésticas devem aumentar, com crescimento dos salários em resposta ao aquecimento do mercado de trabalho. “No balanço geral, a taxa de inflação deve diminuir gradualmente ao longo do período de projeção”, mas permanecerá acima da meta de 2% até 2021.

Sobre o crescimento econômico, o BoE projeta que o Produto Interno Bruto (PIB) cresça cerca de 1,75% ao ano ao longo do período de projeção, em linha com a expansão da economia global, que está no maior ritmo em sete anos. Atualmente, o Reino Unido está se beneficiando da demanda externa robusta e da depreciação da libra.

A forte atividade global, junto com a alta lucratividade das empresas, o baixo custo de capital e a limitação da capacidade instalada, também apoiam o investimento das empresas, “embora ele ainda esteja comprimido pelas incertezas relacionadas ao Brexit”.

O banco destacou que a economia do Reino Unido tem agora “um grau muito limitado de ociosidade” e que a capacidade instalada terá apenas um crescimento modesto. “Conforme o crescimento da demanda ultrapassa o da oferta, uma pequena margem de excesso de demanda deve emergir no início de 2020 e aumentar daí em diante”, diz o comunicado.

Edição: Pâmela Reis (pamela.reis@cma.com.br)

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