BC argentino não relaxará política monetária em julho, mas muda no câmbio

Por Rafaela Aguiar

Buenos Aires, 1 de julho de 2019 – O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central Argentino (BCRA) decidiu não flexibilizar a política monetária em julho. No entanto, fará mudanças no esquema de câmbio, como a redução da meta da base monetária a partir de agosto e também a fixação da taxa mínima para Letra de Liquidez (leliqs) a partir de julho em 58%.

Foto: Jorge Girao / FreeImages.com

“O mês de julho tem uma alta sazonalidade da demanda por capital de giro, como resultado da arrecadação de bônus e despesas associadas ao recesso de inverno”, explicou a instituição financeira em comunicado divulgado hoje antes da abertura dos mercados, acrescentando que após esse fenômeno sazonal, o objetivo da base monetária será mantido em julho, mas será reduzido entre agosto e outubro “até que o efeito monetário seja totalmente compensado”.

Ao estabelecer a taxa mínima das Leliqs em 58% em julho, o BC argentino justificou que a decisão será “garantir que essas mudanças não impliquem um relaxamento nas atuais condições monetárias”. Na última licitação feita pela instituição financeira na sexta-feira, a taxa média de corte foi de 62,688%.

Quando a base monetária foi anunciada na primeira quinzena de junho, o banco central argentino indicou que alcançaria uma taxa mínima de 62,5%. Desde então, a instituição financeira iniciou o processo de redução nas licitações das Leliqs que realiza diariamente. No final de maio, a taxa de juros de referência ficou em 70,7%.

“[O Banco Central] vai absorver a liquidez necessária para manter o valor de referência da taxa de juros inferior a esse nível. Esta redução na taxa mínima está em linha com a redução da taxa de inflação nos últimos meses e espera-se que, segundo a Pesquisa de Expectativas do Mercado, continue em julho “, diz o comunicado.

O banco central argentino reconheceu que a inflação começou a desacelerar nos meses de abril e maio, e os indicadores de alta frequência mostram que essa tendência continuou durante junho. “No entanto, a taxa de inflação ainda está em níveis elevados. Verificou-se uma redução significativa na volatilidade cambial. Com isso, o emissor manterá um “rígido controle” dos agregados monetários para orientar o processo de desinflação nos próximos meses.

Tradução: Carolina Gama

WP Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com