Aversão ao risco por guerra comercial entre EUA e China faz bolsa cair e dólar subir

Por Danielle Fonseca e Flavya Pereira

São paulo – Após três pregões seguidos de alta e depois de uma manhã volátil, o Ibovespa acabou cedendo ao sentimento de aversão ao risco no exterior em função da guerra comercial e fechou em leve queda de 0,11%, aos 103.996,16 pontos. As declarações do presidente norte-americano, Donald Trump, indicando que um acordo com a China ainda está distante, colaboraram para a queda. Porém, balanços e notícias corporativas positivas, impulsionaram alguns papéis e impediram que o índice aprofundasse perdas. O volume total negociado foi de R$ 18,4 bilhões. Na semana, apesar da volatilidade, o índice ainda acumulou ganhos de 1,29%.

“O movimento de hoje está bem atrelado com o lá de fora, há a possibilidade de a reunião entre Estados Unidos e China ser cancelada, o que fez as bolsas norte-americanas caírem mais. Enquanto os dois países não se sentarem para conversar o mercado vai ver essa volatilidade”, disse o analista da Necton Corretora, Gabriel Machado.

Trump falou que os Estados Unidos não estão prontos para um acordo e que ainda não está definido se o encontro com a China em setembro, quando uma delegação chinesa viria à Washington, irá ocorrer.

Apesar da volatilidade trazida pela guerra comercial, alguns papéis impediram o Ibovespa de cair mais, como os da BRF (BRFS3 5,06%), que ficaram entre as maiores altas do índice refletindo um balanço acima das expectativas do mercado. Para o sócio da RJI Gestão e Investimentos, Rafael Weber, em geral, os resultados das empresas brasileiras estão vindo positivos. “Não tivemos nenhuma grande decepção mesmo em um ambiente econômico frágil”, afirmou.

A maior alta do índice, porém, ficou com as ações da Qualicorp (QUAL3 35,82%), depois que a Rede D’Or, dona do hospital São Luiz, anunciou a compra de 10% da companhia, após um acordo com os acionistas da Qualicorp, entre eles José Seripieri Filho. Em seguida, entre as maiores valorizações, ficaram as ações da B2W (BTOW3 17,62%), CVC (CVCB3 8,53%) e da Lojas Americanas (LAME4 6,67%), todas também com fortes altas após balanços trimestrais positivos.

Na contramão, as maiores perdas foram das ações da MRV (MRVE3 -5,65%), que teve um balanço negativo, e das ações de mineradoras e siderúrgicas, como da Vale (VALE3 -3,14%) e da Usiminas (USIM5 -2,41%), que refletem as perdas dos preços do minério de ferro.

Na semana que vem, investidores devem continuar acompanhando possíveis desdobramentos da tensão comercial entre China e Estados Unidos, além de acompanharam o andamento da reforma da Previdência e a da reforma tributária no Congresso. O mercado ainda ficará de olho em uma série de indicadores norte-americanos, além de dados da China, em busca de sinais de impactos da guerra comercial.

O dólar comercial fechou em alta de 0,35% no mercado à vista, cotado a R$ 3,9410 para venda, fechando uma semana de forte volatilidade nos ativos e cautela dos investidores após a escalada da guerra comercial entre Estados Unidos e China, iniciada no fim da semana passada, mas com fortes desdobramentos ao longo desta semana. Na semana, o dólar se valorizou em 1,23% e acumula quatro semanas seguidas de alta.

O viés de cautela prevaleceu na sessão após alívio ontem, que levou o dólar a se depreciar frente às principais moedas globais – rompendo oito altas seguidas frente ao real – com a escalada nas tensões comerciais entre Estados Unidos e China. A disputa deteriorou o cenário internacional nos últimos dias diante da reação do país asiático ao anúncio da cobrança de tarifas adicionais pelos Estados Unidos, o que fez suspender compras adicionais de produtos agrícolas norte-americanos e forçar uma depreciação da moeda chinesa (yuan).

“As sinalizações recentes sugerem que estamos muito distantes de um acordo definitivo”, comenta a equipe econômica do Bradesco. Na semana passada, o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou a elevação das tarifas de importações para 10% sobre US$ 300,0 bilhões em produtos importados da China a partir do mês que vem.

Após a desvalorização do yuan, Trump acusou os chineses de “manipularem a moeda”, comentários que reduziram as chances de um abrandamento dos conflitos no curto prazo e elevam temores de desaceleração da economia global, impulsionado ainda pelo início do ciclo de afrouxamento da política monetária por bancos centrais ao redor do globo. Entre eles, o brasileiro e dos Estados Unidos.

Aqui, o destaque foi a conclusão da tramitação da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados, votada em segundo turno na volta do recesso parlamentar. O “bastão” já foi passado para o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Analistas ressaltam que o mercado local já precificou a aprovação do texto, que “começa a ficar” em segundo plano.

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