Audiência de Guedes termina com troca de ofensas

Paulo Guedes
O ministro da Economia, Paulo Guedes, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, debate a reforma da Previdência (PEC 6/19). (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

São Paulo – A audiência de ontem do ministro da Economia, Paulo Guedes, com a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados foi encerrada após uma troca de ofensas entre ele o deputado Zeca Dirceu (PT-PR).

Durante a audiência, Guedes afirmou que a reforma da Previdência é essencial porque o atual regime, no qual os trabalhadores pagam os salários dos aposentados, está fadado ao colapso, principalmente por questões demográficas – aumento no número de idosos e redução no de jovens. O problema, segundo Guedes, é “incontornável”.

Ele também defendeu que a proposta de reforma da Previdência apresentada pelo governo resolve parte do problema, mas só estará completa com a introdução de um regime de capitalização – em que cada trabalhador monta uma poupança e investe os recursos ao longo da carreira para depois recolhê-los na aposentadoria.

Este regime, no entanto, só pode ser introduzido se a reforma da Previdência gerar uma economia de pelo menos R$ 1 trilhão ao longo da próxima década – o que significaria aprovar a proposta do governo da forma como está ou encontrar formas de alterar o plano sem afetar o nível de poupança esperado.

A oposição fez duras críticas ao discurso do ministro da Economia, afirmando que as medidas penalizam a camada mais pobre da sociedade com mais tempo de trabalho – dada a universalização da idade mínima para a aposentadoria – e diminuição nos pagamentos de benefícios – em razão das mudanças nas regras para pensões e no BPC, pagamento que é feito a idosos em situação de miséria e a pessoas com deficiência.

Também se questionou a eficácia do modelo de capitalização da Previdência, defendido por Guedes. O principal argumento da oposição era de que no Chile, país que adotou este tipo de regime na década de 1980, os idosos estão recebendo menos do que um salário mínimo de aposentadoria.

Guedes rebateu a crítica dizendo que, durante as últimas décadas, houve um progresso econômico significativo no Chile, e que no sistema de capitalização é possível o governo pode inteirar as aposentadorias para garantir que todos recebam pelo menos o salário mínimo – algo que, no sistema de repartição, não é possível ocorrer porque a carga sobre o orçamento público já é muito grande.

O debate descambou para a troca de farpas em vários momentos. Logo no início da audiência, no discurso de abertura, Guedes disse que a quebra dos sistemas previdenciários aconteceu recentemente em países da Europa, mas lançou uma provocação à oposição.

“Este problema está se impondo e nós conhecemos vários exemplos do mundo: Grécia, Portugal, e imaginamos como deve estar a Previdência na Venezuela hoje”, disse Guedes. O comentário despertou o primeiro bate-boca na comissão, interrompendo brevemente o pronunciamento do ministro.

Depois, os deputados se irritaram com um comentário de Guedes sobre a necessidade de “internar” quem não conseguia admitir que há um problema fiscal significativo gerado pelo déficit na Previdência.

O ápice da confusão, porém, veio quase seis horas após o início da audiência, durante o comentário de Zeca Dirceu. O deputado cobrava que o ministro respondesse por que o governo escolheu reformar a Previdência antes do sistema tributário e deu início a uma troca de ofensas.

“Eu estou vendo, ministro, que o senhor é tigrão quando é com os aposentados, com os idosos, com os portadores de necessidades. O senhor é tigrão quando é com os agricultores, com os professores, mas é tchuchuca quando mexe com a turma mais privilegiada do nosso país”, disse Zeca Dirceu.

Guedes reagiu quase imediatamente. “Eu não vim aqui para ser desrespeitado”, disse o ministro. “Tchuchuca é a mãe, é a avó, a sua família”, acrescentou, chamando o deputado de “idiota”.

O presidente da CCJC, deputado Felipe Francischini (PSL-PR) pediu a ambos que retirassem as ofensas e, como isto não ocorreu, encerrou a sessão.

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