Ata do Fed mostra que juros devem permanecer inalterados por mais tempo

Federal Reserve
Prédio do Federal Reserve em Washington (Federal Reserve/Divulgação)

São Paulo – A maioria dos membros do comitê de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) vê poucas razões para o aumento da taxa de juros este ano diante dos riscos à economia dos Estados Unidos derivados da desaceleração global e também da inflação ainda baixa, de acordo com a ata da reunião de março.

“A maioria dos membros espera que a evolução das perspectivas econômicas e os riscos a essas perspectivas seriam fatores para a manutenção da taxa de juros até o final do ano”, mostra o documento. No encontro do mês passado, a taxa de juros foi mantida na faixa entre 2,25% e 2,50% ao ano e o Fed sinalizou que não promoveria ajustes ao longo deste ano.

A ata mostrou ainda que os membros do comitê não veem necessidade de reduzir os juros sem uma deterioração mais ampla da economia. No entanto, sinalizaram flexibilidade ao indicar que a taxa básica “poderia mudar em qualquer direção com base nos dados recebidos e outros eventos”.

No início do ano, o Fed indicou que seria paciente nos ajustes monetários para avaliar melhor o ambiente interno e externo diante de um aumento acentuado da volatilidade do mercado financeiro e da fragilidade econômica na China e na Europa, que poderia exercer um impacto negativo sobre a performance norte-americana.

Os membros do comitê também manifestaram preocupação com a queda dos juros dos títulos de dívida de longo prazo do governo norte-americano, de acordo com a ata. A chamada inversão da curva de juros – quando os juros de mais longo prazo ficam abaixo daqueles de curto prazo – muitas vezes precedeu as recessões.

BALANÇO DE ATIVOS

Os membros do comitê discutiram também o momento ideal para o balanço de ativos do banco central norte-americano voltar a crescer, embora não tenham chegado a nenhuma decisão sobre o assunto, segundo a ata.

No mês passado, o comitê concordou em desacelerar o ritmo de redução mensal de títulos do Tesouro de US$ 30 bilhões para US$ 15 bilhões a partir de maio. Além disso, indicou que encerraria sua estratégia para o balanço em setembro, desde que a economia e as condições do mercado evoluam como esperado.

Dentro desse plano, os resgates de títulos lastreados em hipotecas seriam reinvestidos em títulos do Tesouro até US$ 20 bilhões por mês, o que levaria o balanço a conter apenas títulos do Tesouro. Sob os cálculos do banco central, ao final desse processo, o balanço de ativos deve ficar pouco acima de US$ 3,5 trilhões – dos cerca de US$ 4,0 trilhões atuais.

A ata de hoje indicou que mais membros do comitê se mostraram favoráveis a uma carteira com mais reservas, permitindo que o balanço cresça “relativamente logo após o fim da estratégia de redução gradual de ativos, porque viram pouco benefício” em permitir que as reservas caíssem a um nível que poderia criar volatilidade, disse a ata.

Outros membros, porém, preferiram manter o balanço estável por um período mais longo a fim de saber mais sobre a demanda por reservas dos bancos, ainda de acordo com o documento.

CRESCIMENTO ECONÔMICO

Os membros do Fed concordaram que, segundo os dados recebidos desde janeiro, o crescimento da atividade econômica desacelerou ante a taxa sólida do quarto trimestre do ano passado, apesar dos dados fortes de emprego, segundo a ata.

“Vários membros julgaram que o crescimento econômico nos trimestres restantes de 2019 e nos anos subsequentes provavelmente será um pouco menor, no geral, do que eles previam anteriormente. As razões citadas para essas revisões para baixo incluíram notícias decepcionantes sobre o crescimento global e o menor impulso da política fiscal do que havia sido antecipado anteriormente”, diz a ata.

De acordo com o documento, “poucos membros destacaram que ainda há um alto nível de incerteza associado a acontecimentos internacionais, incluindo as negociações comerciais em andamento e deliberações do Brexit”. Alguns membros, porém, afirmaram que os riscos de resultados adversos estavam um pouco menores do que em janeiro.

Outros riscos incluem a possibilidade de grandes repercussões de uma desaceleração econômica maior do que a esperada na Europa e na China, a persistência de gastos fracos e uma queda acentuada no estímulo fiscal, segundo a ata do Fed. “Poucos membros observaram que uma deterioração econômica nos Estados Unidos, se ocorresse, poderia ser amplificada por encargos significativos do serviço da dívida para muitos empresas”.

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