Ata do BCE sinaliza novos estímulos por aumento de incertezas

Por Cristiana Euclydes

São Paulo – Os membros do Conselho do Banco Central Europeu (BCE) concordaram sobre a necessidade de estarem prontos para aplicarem estímulos à economia da zona do euro, devido à taxa de inflação fraca e a incertezas globais, segundo a ata da reunião de junho.

Sede do Banco Central Europeu, em Frankfurt (Divulgação/BCE)

“Houve amplo consenso de que, à luz da crescente incerteza, que provavelmente se prolongará ainda mais no futuro, o Conselho do BCE precisava estar pronto e preparado para afrouxar ainda mais a posição de política monetária, ajustando todos os seus instrumentos, como apropriado, para atingir sua meta de estabilidade de preços”, diz a ata.

“As potenciais medidas a considerar incluem a possibilidade de ampliar e reforçar as orientações futuras do Conselho do BCE, retomar as compras líquidas de ativos e reduzir as taxas de juros”.

Segundo os membros do Conselho do BCE, os riscos para o ambiente externo aumentaram, em especial relacionados com a deterioração das relações comerciais entre os Estados Unidos e a China, e com a persistente incerteza quanto à retirada do Reino Unido da União Europeia (UE).

Dentro da zona do euro, os dados apontam para um crescimento mais fraco no segundo e terceiro trimestres, diante da “a fragilidade do comércio internacional num ambiente de prolongada incerteza mundial, que pesa, em particular, no setor industrial da zona do euro”. Por outro lado, os setores de serviços e construção seguem resilientes, e o mercado de trabalho continua a melhorar.

INFLAÇÃO

Ainda de acordo com a ata, medidas de estímulo também devem ser consideradas “caso a conjuntura de inflação muito baixa continue a prevalecer”. O BCE projeta que a taxa de inflação será de 1,3% este ano, 1,4% no ano que vem e 1,6% em 2020, ainda bem abaixo da meta de perto de 2%.

Segundo a ata da reunião de junho do Conselho, as medidas do mercado de expectativas para taxa de inflação na zona do euro também estão se movendo para baixo cada vez mais, para níveis próximos aos mínimos registrados em setembro de 2016.

“A inflação ainda está projetada para atingir 1,6% apenas em 2021, que se mantém a alguma distância da meta de inflação do Conselho do BCE”, diz o documento.

“Por conseguinte, considerou-se importante que o Conselho do BCE demonstrasse a sua determinação em agir, em linha com sua função de reação, ao ajustar sua posição de política monetária na reunião atual, e preparar-se para contingências adversas no período à frente”.