Articular reformas com bancadas fracassou, diz Mourão

Hamilton Mourão
O vice-presidente Hamilton Mourão participa da cerimônia de abertura da 12º Edição da LAAD, Feira de segurança e defesa, no Rio de Janeiro. (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

São Paulo – O vice-presidente Hamilton Mourão reconheceu que a estratégia inicial do governo, de negociar apoio a reformas econômicas por bancadas, fracassou, e disse que a nova estratégia baseia-se em obter apoios dos partidos às mudanças.

“O presidente [Jair Bolsonaro] inicialmente tinha a visão de trabalhar com as bancadas temáticas. Ele se reuniu com a bancada da agricultura, da bíblia, da bala. Só que cada bancada dessa é multipartidária. Se une transitoriamente no interesse da bancada e se esfacela, porque cada um ali é oriundo de um partido diferente”, disse Mourão durante conferência na Brazil Conference at Harvard & MIT, em Boston, nos Estados Unidos, no domingo.

Mourão ressaltou que no Congresso há dezenas de partidos representados, e que essa fragmentação dificultava ainda mais a articulação política. “Aqui nos Estados Unidos são só dois [partidos] e a coisa já é meio complicada. Imagina com 30”, acrescentou.

“Agora o presidente mudou a estratégia. Essa estratégia [da negociação por bancadas] não deu certo. Ele está chamando os presidentes de partido.

Entendo que a visão dele é buscar maiorias transitórias para cada uma das nossas propostas. A proposta-chave agora é a aprovação da nova Previdência.

Vamos construir maioria para ela”, afirmou Mourão.

Ele acrescentou que os próprios presidentes de seis partidos que se reuniram na semana passada com Bolsonaro deixaram clara a atual estratégia do governo, pois afirmaram após sair da reunião com o presidente que apoiavam a reforma previdenciária, mas não o governo. “É uma nova forma de a gente tentar organizar o relacionamento com o Congresso”, afirmou.

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