Arábia Saudita crescerá menos este ano com redução de oferta de petróleo, diz FMI

Por Carolina Gama

São Paulo – O crescimento da Arábia Saudita deve desacelerar para 1,9% este ano, de 2,2% no ano passado, diante da redução da produção de petróleo do país, segundo projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI). Excluindo o setor petrolífero, a expansão deve acelerar para 2,9% graças aos gastos do governo e ao aumento da confiança.

Barris de petróleo. (Ian Burt/Flickr)

A Arábia Saudita, líder de fato da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), faz parte de um acordo com outros dez aliados do cartel que retira 1,2 milhões de barris por dia do mercado até março de 2020. A iniciativa visa equilibrar a oferta e a demanda e, consequentemente, impulsionar os preços do petróleo.

“Espera-se que o crescimento se recupere no médio prazo, à medida que as reformas em curso se consolidam. A taxa de desemprego entre os cidadãos sauditas diminuiu, mas permanece alta em 12,5%”, diz o FMI em relatório sobre as condições econômicas do país, conhecido como Artigo IV.

O Fundo espera que o déficit fiscal saudita cresça para 6,5% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano, de 5,9% do PIB em 2018, uma vez que se prevê que os gastos aumentem e excedam o valor orçado e compensem o aumento das receitas fora do setor de petróleo. Para 2020, o déficit deve diminuir para 5,1% do PIB.

“Com os preços do petróleo implícitos nos mercados futuros a diminuir no médio prazo, prevê-se que o déficit aumente. O superávit em conta corrente deverá cair a 6,9% do PIB em 2019, de 9,2% do PIB em 2018, à medida que a receita de exportação de petróleo se modere e as importações aumentem”, afirma o FMI.

Com relação à inflação, o Fundo aponta uma redução do índice de preços ao consumidor saudita nos últimos meses, principalmente devido à queda dos aluguéis. Diante desse cenário, o FMI espera queda de 1,1% este ano, antes de se tornar positivo em 2020, à medida que novos aumentos nos preços da energia forem implementados.

“As autoridades [sauditas] continuam a implementar sua agenda de reformas. As reformas fiscais incluem redução do limite de registro para o IVA [imposto sobre valor agregado], ajuste dos preços da gasolina trimestralmente e aumento da transparência fiscal. Reformas no mercado de capitais, estrutura legal, ambiente de negócios e pequenas e médias empresas estão em andamento”, diz o FMI no relatório.

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