Após TLTRO, mudança na política monetária do BCE deve ficar para junho

Sede do Banco Central Europeu, em Frankfurt (Divulgação/BCE)

São Paulo – O Banco Central Europeu (BCE) deve manter sua política de afrouxamento e as taxas de juros inalteradas na quarta-feira, após anunciar no mês passado novas operações direcionadas de refinanciamento de longo prazo (TLTROs, na sigla em inglês), segundo especialistas consultados pela Agência CMA.

“O BCE deve estar satisfeito com o pacote de afrouxamento por ora. Se houver necessidade de mais acomodação, provavelmente estenderá sua orientação futura [forward guidance] e anunciará mais termos atrativos para a TLTRO. Acreditamos que ambos os passos ocorrerão no encontro de junho”, afirmou o analista da Nordea, Jan von Gerich.

No mês passado, o principal movimento do BCE foi revitalizar as TLTROs com o objetivo de incentivar os bancos a fornecer crédito a empresas e clientes. Na ocasião foi anunciado que os empréstimos teriam um vencimento de dois anos e a taxa de juros seria indexada à taxa principal de refinanciamento ao longo da vida de cada operação. Semelhante às ofertas anteriores, o programa contém incentivos embutidos para manter as condições de crédito favoráveis.

Com relação aos juros, o BCE manteve a taxa básica em zero, a taxa de depósitos em -0,4% ao ano e a taxa da linha mantida com bancos comerciais para concessão de liquidez de curto prazo em 0,25% ao ano. Além disso, a autoridade monetária indicou que as taxas referenciais de juros devem demorar mais para serem elevadas.

“O BCE deve fortalecer sua orientação futura ao adiar a data de ajuste da taxa de juros para 2020. Além disso, pode apresentar os termos dos empréstimos da TLTRO-3”, disse o economista-chefe da Capital Economics, Andrew Kenningham.

Assim como Jan von Gerich, da Nordea, os analistas do Danske bank não esperam mudanças na política do BCE até junho. “Não esperamos modalidades novas da TLTRO até junho. Acreditamos que a chave da questão ainda está em na disposição do BCE em fazer as operações e o tempo é necessário para isso”, afirmaram os analistas do Danske Bank.

DESACELERAÇÃO GLOBAL

A manutenção da política no encontro desta semana se deve à situação econômica global, de acordo com os especialistas. A preocupação com os dados econômicos do continente se renovam a cada semana.

O mais recente dado que ilustra essa condição veio do índice dos gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) sobre a atividade industrial da Alemanha, que caiu para 44,1 pontos em março – menor nível desde junho de 2012. Junto com ele, o PMI sobre a atividade do setor industrial da zona do euro caiu para 47,5 pontos em março – o menor nível desde abril de 2013. Ambos os dados sugerem contração da atividade.

Diante desse quadro, os membros do Conselho do BCE discutiram a introdução de medidas mais agressivas para estimular o crescimento econômico na eurozona, que tem sido afetado pela desaceleração da economia global e pelas tensões comerciais entre a China e os Estados Unidos.

De acordo com a ata da reunião de março, vários membros manifestaram a sua preferência inicial por indicar que as taxas de juros seriam mantidas nos níveis atuais até ao final do primeiro trimestre de 2020. Na ocasião, o conselho afirmou que os juros seriam mantidos até o final de 2019, ante a indicação anterior de manutenção até meados deste ano.

“As dúvidas estão aumentando. O BCE está particularmente preocupado com a natureza prolongada da desaceleração e das incertezas persistentes, que parecem estar pesando sobre o sentimento do consumidor e do produtor. O maior risco é que isso comece a pesar nas decisões de investimento e contratação e que, por sua vez, deprima a dinâmica dos salários, que se recuperaram nos últimos trimestres”, afirmaram os analistas do Rabobank, Bas van Geffen e Elwin de Groot.

Por isso, os especialistas esperam que a mensagem de manutenção da política acomodatícia seja renovada, e que o BCE mantenha o tom cauteloso.

“Esperamos que [Mario] Draghi repita sua mensagem de inflação ‘atrasada, não descompensada’, e nenhum novo sinal de nova política do BCE. Além disso, o presidente do BCE deve manter sua avaliação dos riscos negativos sobre o crescimento”, afirmaram os analistas do Danske Bank.

“Com novas evidências limitadas, acreditamos que o BCE não tomará nenhuma decisão agora. Considerando a atual perspectiva, os riscos para a política monetária permanecem claramente inclinados para uma flexibilização adicional nos próximos trimestres”, acrescentaram De Groot e Geffen, do Rabobank.

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