Ajuste fiscal reduz prêmio de risco em juro estrutural, diz Copom

Comitê de Política Monetária (Copom). (Foto: Beto Nociti/BCB)

Por Olívia Bulla

São Paulo – Para o Comitê de Política Monetária (Copom), o ajuste fiscal pode ajudar a reduzir o prêmio de risco no juro estrutural. Segundo a ata da reunião da semana passada do Comitê do Banco Central, a conjuntura econômica prescreve uma política monetária estimulativa, ou seja, com taxas de juros abaixo da taxa estrutural. “Cabe destacar que a provisão de estímulo monetário requer ambiente com expectativas de inflação ancoradas”, ressalta o documento.

Na visão do Copom, a taxa de juros estrutural da economia brasileira embute dois componentes, a taxa estrutural livre de risco e o prêmio de risco, sendo que “reformas e outras mudanças no ambiente econômica podem afetar a taxa estrutural de maneiras distintas”. Para o BC, a maior sustentabilidade da política fiscal contribui para reduzir a taxa estrutural por meio da queda do prêmio de risco.

Nesse sentido, o Copom destaca, na ata, que a reforma da Previdência, ao adequar as regras para aposentadoria à estrutura e dinâmica demográficas do país, reduz o ritmo de crescimento dos gastos do governo, aumentando a poupança pública. “Além disso, gera incentivos para aumento da taxa de poupança por parte da população, visando sustentar um certo padrão de consumo após a aposentadoria”, diz o documento.

Segundo a autoridade monetária, esses canais contribuem para a redução do componente livre de risco da taxa de juros estrutural da economia brasileiro.

“A reforma da Previdência também reduz o componente de prêmios de risco da taxa de juros estrutural, posto que com ela melhoram as perspectivas de sustentabilidade fiscal”, emenda o Copom, reiterando que o Comitê “entende que a reforma contribui para redução gradual da taxa de juros estrutural”.

Para o Copom, a continuidade do processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira é essencial para a queda da taxa de juros estrutural, para o funcionamento pleno da política monetária e para a recuperação sustentável da economia. “O Comitê ressalta ainda que a percepção de continuidade da agenda de reformas afeta as expectativas e projeções macroeconômicas correntes”, emenda, acrescentando que “avanços concretos” nessa agenda são fundamentais para a consolidação do cenário benigno da inflação.

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