Acordo do Brexit abre novas incertezas

A quatro meses do prazo oficial para o divórcio com o Reino Unido, os chefes de estado da União Europeia aprovaram o acordo que delimita como acontecerá o chamado Brexit, mas a incerteza em torno do assunto continua, principalmente em função da aparente falta de apoio do parlamento britânico aos termos da separação.

A expectativa é de que o Legislativo do Reino Unido vote sobre o acordo na semana de 10 a 14 de dezembro, e os sinais de que o texto será rejeitado se acumulam. Um dos pontos contenciosos refere-se à fronteira da Irlanda com a Irlanda do Norte.

Sob a União Europeia, a divisa não tinha tanta relevância em função da liberdade para o fluxo de pessoas e mercadorias. Com a separação, essas liberdades se extinguem e, embora nem os europeus nem os britânicos queiram adotar medidas restritivas à circulação no local – palco de conflitos históricos.

O problema é que até agora só há um compromisso de que o problema será solucionado. O Reino Unido propôs monitorar a fronteira usando equipamentos de alta tecnologia – que, na visão dos europeus, serão ineficazes. A União Europeia, por sua vez, quer que os britânicos mantenham a região sem barreiras e aceitem a livre circulação de pessoas e bens – algo impensável para os defensores linha-dura do Brexit, que querem mais controle do governo do Reino Unido sobre a imigração.

Como nenhum dos lados chegou a um acordo, foi feita uma promessa – chamada de “backstop” – de que as coisas continuarão da forma como se encontram até que haja solução melhor – o que na prática prolonga indefinidamente a situação do Brexit bem perto do Reino Unido, com a União Europeia numa posição de negociação mais vantajosa, visto que o modelo em vigor, o europeu, seria mantido.

Além disso, mesmo com o acordo entre o Reino Unido e a União Europeia, ainda há várias possibilidades para o desenrolar do Brexit. O prazo para o fim do processo de divórcio pode ser estendido, os britânicos podem convocar um novo referendo e decidir ficar no bloco, ou podem tentar aderir aos mesmos termos que a União Europeia usa com a Noruega e a Islândia (que não resolveria questões como o aumento da soberania britânica em relação ao controle da imigração).

Também pode ser que o acordo fechado pela primeira-ministra Theresa May sobreviva ao voto do parlamento com alguns ajustes. E pode ser que não haja nenhum acordo e o divórcio aconteça mesmo assim, em março do ano que vem – o pior cenário possível para o mercado, que está esperando algum tipo de acordo.

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