Ações caem e dólar sobe com aversão ao risco no exterior

Danielle Fonseca, Flávya Pereira e Olívia Bulla / Agência CMA

São Paulo – A onda de cortes de juros em vários países do mundo, reforçada hoje pela redução das taxas na India, deixou os investidores receosos com a possibilidade de a guerra comercial entre Estados Unidos e China e essa nova rodada de estímulo monetário global anteceder um cenário de desaceleração econômica generalizada e aumentou a aversão ao risco aqui e no exterior, puxando o Ibovespa para baixo e impulsionando o dólar.

“Todo mundo está preocupado com esse impasse comercial e o impacto que essa escalada de tensões pode ter. Estamos vendo uma reação no mundo inteiro, com vários bancos centrais reduzindo juros”, disse o diretor de investimentos da SRM Asset, Vicente Matheus Zuffo.

Além disso, há receios de que a moeda chinesa possa continuar a desvalorizar aos poucos, embora a China tenha estabelecido limites de negociação. “A guerra comercial está virando uma guerra cambial”, destacou ainda Zuffo.

Outro elemento que aumentou a cautela do mercado foram os comentários do presidente norte-americano, Donald Trump. Ele fez novas críticas ao Federal Reserve, dizendo que o banco central é orgulhoso demais para admitir erros e pressionando a instituição por cortes maiores na taxa básica de juros dos Estados Unidos.

O economista da Tendências Consultoria, Silvio Campos, aponta que o movimento de hoje é “100% externo”. “Estamos simplesmente acompanhando a aversão global ao risco, não há como escapar. Há uma venda de ativos de maior risco e busca por proteção nos títulos soberanos de baixo risco e nas moedas como o dólar”.

Por volta das 13h30 (de Brasília), o Ibovespa recuava 0,58%, para 101.562 pontos – embora mais cedo tenha caído de forma mais acentuada, atingindo mínima de 100.476 pontos. No mercado de câmbio, o dólar comercial subia 0,80% no pregão à vista, para R$ 3,9890, enquanto o contrato futuro da moeda com vencimento em setembro avançava 0,69%, para R$ 3.995,50.

No mercado de juros, as taxas operam em queda, ao contrário do que se espera num contexto de aversão ao risco, mas o movimento reflete principalmente a expectativa de que os juros aqui e lá fora devem cair nos próximos meses.

“O mercado brasileiro abriu sob pressão, após outra rodada de deterioração do risco em todo o mundo”, resume um diretor da tesouraria de um banco estrangeiro. Para ele, os DIs estão um pouco mais baixos devido aos dados fracos das vendas no varejo e após a aprovação do texto principal da reforma da Previdência, em segundo turno.

“No entanto, os DIs estão observando o dólar como um indicador-chave para uma flexibilização adicional”, emenda. Segundo ele, se a moeda norte-americana voltar a visitar as máximas, na faixa entre R$ 4,10 e R$ 4,20, pode haver uma piora nas expectativas inflacionárias, impactando o ciclo de cortes na Selic. “O cenário base é outro corte de 0,50 ponto percentual, com uma queda adicional dependendo do desempenho do dólar”, afirmou.

Edição: Gustavo Nicoletta ([email protected])

WP Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com