A mensagem do novo governo

Nosso otimismo sempre esteve associado à diligência e disciplina, com base ao entendimento da economia brasileira. Os frutos foram sendo colhidos ao longo dos últimos anos. Em 2016 no auge da crise, os problemas eram tantos que não visualizávamos saída para o país, mas mantivemos a convicção de que ela existia, apenas não era visível pelo mercado. Passaram-se os anos e estamos hoje com um governo de viés liberal e reformista – pelo menos é o que mostram os atuais ministros com viés técnico, indicados pelo futuro presidente Jair Bolsonaro.

Independentemente de este governo conseguir ou não aprovar todas as reformas necessárias junto ao Congresso, podemos concluir por ora que o atual é melhor que o anterior devido à mudança de agenda intervencionista e nepotista dos anos anteriores.

A situação macro continua favorável, com inflação baixa, menor alavancagem de empresas, famílias e juros baixos. O índice de confiança está vindo a “galope” e tudo indica aumento nas projeções de PIB para 2019.

As empresas de capital aberto registraram lucro de R$ 54 bilhões no terceiro trimestre de 2018, contra R$ 43 bilhões em 2017, um crescimento de 26%. Como mencionamos em cartas passadas, os ativos mais beneficiados nesse novo ciclo Brasil são as empresas que ajustaram suas operações nos anos de crise
e agora colhem resultados importantes. Apesar dos recordes em bolsa, as empresas continuam com descontos históricos perante seus múltiplos. A bolsa local tem sido um bom investimento quando comparado com os mercados globais, superando praticamente todos os ativos financeiros do globo (bonds, índices dos mercados desenvolvidos, emergentes, moedas, entre outros).

Recentemente o presidente do Fed, Jerome Powell, manifestou um tom mais moderado quanto ao processo de normalização da taxa de juros nos Estados Unidos, tirando pressão sobre o dólar. Somado à nova trégua da guerra comercial entre Estados Unidos e China, houve redução importante das tensões
para os próximos meses, o que beneficia os mercados emergentes.

O petróleo entrou em “bear market” (queda de 20% desde o pico), o que poderá atrapalhar a balança comercial de muitos países emergentes. Após a reunião do G-20 realizada em Buenos Aires, houve indicação pelos participantes da Opep que poderão manter o corte da produção do petróleo, o
que beneficiaria o preço da commodity no mercado financeiro. Por um lado, beneficia países produtores e por outro pressiona a inflação em países desenvolvidos como os Estados Unidos. Estaremos atentos aos movimentos dos players internacionais, pois reflete em melhora ou piora da balança comercial
brasileira.

O case estrutural de ciclo longo de recuperação Brasil continua e volatilidade de curto prazo é saudável e desejada, para que possamos aproveitar novos investimentos. Continuamos acreditando em um ciclo longo de Brasil com oportunidades de multiplicações para ativos de maior volatilidade.

AMBIENTE MACROECONÔMICO

INTERNACIONAL

O Comitê de Política Monetária do Federal Reserve (FOMC), manteve a taxa básica de juros entre 2,00% e 2,25% ao ano, resultado este esperado pelo mercado. A ata da última reunião apresentou um tom de menor urgência no aperto de juros, sugerindo um ciclo menor em 2019, mantendo o gradualismo do
aperto monetário. Os principais fatores que levaram a autoridade a adotar um tom mais brando foram o aumento da incerteza quanto à política comercial e a maior preocupação com a desaceleração da atividade global. Por ora a inflação continua em linha com o esperado pela FOMC.

A economia chinesa mostrou resultados mistos nos últimos meses com arrefecimento das vendas do varejo, produção industrial e investimentos. A resposta do governo veio com estímulos monetários, porém o ritmo de crescimento se manteve com viés de baixa, devido à recente guerra comercial
com os Estados Unidos decorrente das exportações ao país. Por ora mantemos nossa projeção da China crescer por volta dos 6,5% em 2018. Para 2019 estimamos crescimento em 6,2%.

A economia europeia seguiu a tendência de moderação do PIB com crescimento de 0,2% no terceiro trimestre. O destaque negativo foi o recuo na produção industrial (veículos). A economia global começa a sentir os impactos da guerra comercial. Estamos atentos para futuros dados econômicos,
que nos darão condições de analisar se o efeito é pontual ou de tendência.

NACIONAL

Diversas pesquisas realizadas nos últimos meses mostram forte recuperação do índice de confiança, reforçando nosso cenário de retomada gradual da economia local. As sondagens do índice de confiança da indústria, comércio, empresário, serviços e consumo vêm apontando para uma retomada mais forte
para 2019. Este indicador é uma proxy para o PIB e poderá elevar as projeções para o próximo ano.

O PIB cresceu 0,8% no terceiro trimestre deste ano quando comparado com o segundo trimestre. O resultado veio levemente acima do esperado pelo mercado. Do lado positivo a agropecuária cresceu 0,7% e em linha com as expectativas vieram serviços e indústria com crescimento de 0,55% e 0,4% respectivamente. Para 2018 continuamos com nossa projeção de 1,3%.

Raphael Juan

Raphael Juan – Sócio-fundador da BBT Asset Management, responsável pela gestão de administração de carteiras de valores mobiliários e corresponsável pela área de análise e investimentos.

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