2018 será definitivo para reforma da Previdência, dizem especialistas

04/01/2018 15:09:27

Por: Álvaro Viana / Agência CMA

Chuva se aproxima do prédio do Congresso Nacional (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

São Paulo – O ano de 2018 será fatídico para a reforma da Previdência, seja pela sua aprovação ou rejeição, segundo especialistas entrevistados pela Agência CMA. A aposta da maioria dos investidores é que o governo têm poucas chances de passar a reforma em fevereiro e, depois disso, será impossível. A discussão e votação do texto foram adiadas para 5 e 19 de fevereiro, respectivamente.

“A reforma da Previdência dificilmente será aprovada em 2018, exceto se for absolutamente desidratada e voltada para os futuros segurados”, explicou Antonio Augusto Queiroz, diretor do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap). O governo espera que o adiamento de o tempo que necessita para esclarecer a parlamentares e sociedade alguns pontos divergentes do texto e, com isso, adquirir mais votos para facilitar a aprovação no Congresso.

O cenário mais favorável para a aprovação da Previdência, segundo Queiroz, ocorreria se o governo cumprisse mais algumas contrapartidas exigidas por parlamentares, “tão substanciais que fossem capazes de anular o desgaste que eles têm em função disso e ter vantagem”, observa.

O cientista político André César, sócio-diretor da Hold Assessoria, levanta a possibilidade de a votação da reforma ser colocada em pauta após as eleições. “Em novembro, porque você vai ter um grupo de parlamentares que foi reeleito, e vai votar. Não têm mais compromisso imediato com o eleitor dele. Não tem o medo de desagradar esse eleitor agora”, pondera.

Em relação à proposta original, a reforma previdenciária já desidratou muito, perdendo grande parte de seu objetivo, destacou César. “Mesmo assim você vê que é difícil conseguir os 308 votos necessários e virar essa página. Nesse sentido, a Previdência vai cada vez mais ficando para frente”.

André César ressalta também o argumento de parte do governo em relação ao atraso da votação, de que não se pode “entrar para perder”. “Então entre recuar ou entrar e perder, o “perder” é o pior dos mundos. O dólar estoura, a Bolsa desaba. Então, tem que esperar, o governo sabe disso”, explica.

O especialista em microeconomia aplicada, Bruno Ottoni, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), destaca ainda os efeitos de uma possível não aprovação do texto. “Se a gente não tiver minimamente encaminhada essa reforma podemos sim ter algum efeito sobre valor de ativos”, explicou.

O professor de ciência política da Universidade de Brasília (UnB), David Fleischer, também acredita que a rejeição ao texto da Previdência, se acontecer, será negativa para o Brasil. “Se a Previdência não for aprovada, os mercados vão ficar azedos com o Brasil. Nós vamos ter poucos novos investimentos, tanto do exterior quanto daqui e isso vai prejudicar tremendamente a economia brasileira”, comentou.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, já admitiu que é impossível votar a reforma da Previdência após o dia 20 de fevereiro. “(Depois disso), aí é melhor ir para outro tema”, afirmou em entrevista à “Folha de S.Paulo”, no fim de dezembro. Na ocasião, ressaltou também que não há plano B caso o texto da reforma não seja aprovado neste início de ano.

“A gente vai ter que confiar na agenda política brasileira. A reforma da Previdência vai ser um tema constante nas próximas décadas. Basicamente porque o país está passando por um envelhecimento populacional e isso vai voltar à tona com muita frequência no debate e frequentemente a gente vai ter que rever essas regras”, comentou Ottoni.

Edição: Eliane Leite (e.leite@cma.com.br)

 

3 Comentários

  • A reforma da Previdência vai passar porque não haverá mais um país chamado Brasil no caso da sua rejeição. Essa mini reforma não será de um ganho político de A, B ou C, mas de todos, pois será um país que continuará a existir após a reforma.
    A Previdência, na atual configuração, acabará com o orçamento do governo (não se sabe exatamente em que ano).
    Nenhum país consegue sobreviver se arrecadar apenas para pagar a sua Previdência.
    E a Saúde, a Educação e a Segurança, como ficam sem dinheiro? Com mais impostos?
    Não somos o país que mais cobra imposto da pessoa física?
    De onde vira o dinheiro para o social?
    Sem essa aprovação, minimamente, volta imediatamente e mais forte a recessão passada, tal como uma doença mal curada, a partir da insolvência das contas públicas, com o aumento progressivo do déficit público. A sua rejeição derrubará imediatamente a bolsa. Trará no curto prazo o aumento do juros e a volta da inflação (na ordem inversa), com a perda de empregos, até mesmo os já conquistados.
    Será uma recessão mais intensa que a que foi debelada. Vale arriscar? .
    Que país será esse?

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